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Enfrente o medo de se arriscar!

Já parou para pensar que todos os dias ao acordarmos, é um novo dia onde somos obrigados a fazer inúmeras escolhas? Já reparou o quanto essa obrigação em escolher nos deixa muitas vezes angustiados? Estressados? Muitas vezes a correria do dia a dia não nos deixa perceber o quanto nossas escolhas tem se dado de forma automática.

No trabalho, o de sempre: pressão, estresse, rotina, nenhuma novidade. Em casa: contas para pagar, filho para cuidar, tv para assistir, casa para arrumar, nenhuma novidade. Na faculdade: matéria e mais matéria para estudar com o principal objetivo de obter o diploma e não o de adquirir algum conhecimento que lhe dê alguma satisfação, nenhuma novidade. Quando o diploma chega nas suas mãos, você se pergunta: O que vou fazer com ele? Melhor deixar ali na gaveta?!

Você em um desses vários dias repleto de rotina, acorda e vê o quanto sua vida tem sido um tédio sem fim. Mas não sabe o por que, afinal de contas você tem um trabalho, tem família, tem o que vestir, tem estudo, etc. Então você não entende o porquê de tanto tédio, já que na vida aprendeu: o importante é trabalhar, estudar e ter uma família. Mas será que qualquer trabalho, qualquer estudo, qualquer relação dentro da sua família, é o que sonhou ou esperava para você?

É aí que você se dá conta que o comodismo te dá uma segurança, mas te rouba de si mesmo. Você vê que aquele trabalho não te dá tanta satisfação assim, aliás ele te dá mais dor de cabeça do que solução, rouba todo seu tempo e em troca te dá alguns trocados. Você vê que não estudou o que queria, ou que talvez nunca tenha feito uma faculdade já que não via muita necessidade nisso. Vê que há um abismo na relação entre você e sua família, vê o quanto distante estão mesmo morando na mesma casa ou residindo na mesma cidade.

E aí chegou a hora de você perceber que o comodismo pode te dar tudo o que os outros dizem ser o melhor para você, e é justamente por isso que você se vê totalmente distante de si, distante do que sonhou um dia viver, você escolheu a escolha do outro e não o que queria. Sim, você é responsável por essa escolha mesmo ela sendo boa para o outro e péssima para você. E não esqueça, não escolher nada, também é uma escolha.

Saia do comodismo, arrisque-se! Se sentir insegurança nas suas escolhas, ESCOLHA mesmo assim. Aproxime-se de você, aproxime-se dos seus sonhos! Se encontre!

Dieta ‘mais ou menos saudável’ é opção sem tantas restrições

Dietas que prometem rápido emagrecimento surgem a todo momento, mas elas não explicam os prós e os contras das restrições alimentares que indicam. Excluir do cardápio grupos alimentares – proteínas, gorduras ou carboidratos, por exemplo – pode até levar à perda de peso, mas não favorece a saúde. Assim, especialistas em nutrição estão defendendo uma dieta “healthy-ish” (mais ou menos saudável, traduzido do inglês).

“Se você come regularmente alimentos saudáveis, como verduras, legumes e frutas, e se movimenta, não há problema nenhum em querer sair com os amigos, tomar uma cerveja e comer um tira-gosto ou optar por um chocolate na manhã de domingo. Comer tem que ser algo que faça bem à mente, não apenas ao corpo”, defende a médica nutróloga Ana Beatriz Rios, membro da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran).

Ou seja, de acordo com a especialista, é perfeitamente possível equilibrar boa alimentação, prática de atividade física e o “luxo” de comer coisas de “fora do cardápio”, mas sem exageros. “São três conceitos básicos que devem estar em qualquer alimentação: a moderação, a proporcionalidade e a adequação. São eles os responsáveis pela sensatez entre a saúde, o bem-estar e o prazer do paladar”, explica.

Ana Beatriz destaca que essa flexibilidade ajuda também no processo de reeducação alimentar. “Esse equilíbrio incentiva a pessoa a ser ‘fiel’ à rotina de alimentação adotada. Isso diminui as chances de uma sabotagem e de um prejuízo alimentar num possível efeito sanfona”, assegura a especialista.

Foi o bom senso na alimentação que fez a nutricionista Raquel Righi perder mais de 50 kg em menos de três anos. “Quando me vi aos 31 anos pesando 130 kg, caí em mim. A partir de então, passei por uma reeducação alimentar que não era 100% restritiva”, revela.

Raquel conta que durante a semana equilibrava os alimentos com a prática de exercícios físicos e, aos fins de semana, se dava a liberdade de comer algo de fora do cardápio. “Uma taça de vinho ou um pedaço de pizza não eram prejudiciais. Pelo contrário. Já preparava o cardápio semanal pensando no sábado e no domingo. O ato de comer precisa ser prazeroso, mas, é claro, sem exageros dos dois lados”, acredita.

Ela considera ainda que a privação em excesso gera compulsão e culpa de comer algo “errado”. “Se você se sente culpado, se arrepende e acaba exagerando na comida”, reflete.

Contraponto. Por outro lado, a endocrinologista Janaína Koenen, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), considera que, para flexibilizar o cardápio, é preciso estar em harmonia com o peso. “Dar-se o direito de comer algo gostoso, mas pouco nutritivo, vale para as pessoas que estão bem com a balança, por algumas vezes. Aquelas que estão em processo de emagrecimento ou com o cardápio restrito por causa de doença devem evitar (sair da dieta)”, afirma.

Ela ressalta que esse período restritivo não é para sempre, mas que desvios devem ser acompanhados por um profissional, para que os efeitos já conquistados não sejam comprometidos.

Janaína aponta ainda para as falsas promessas das dietas “milagrosas”. “Não existe mágica, muito menos na alimentação. O equilíbrio reside naquilo que faz sentido, que não parece absurdo. Dietas que prometem resultados em pouquíssimo tempo podem estar na boca das pessoas, mas somem logo depois e se mostram ineficientes”, aponta.

Corpo. Uma pesquisa da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, revelou que praticar 30 minutos de caminhada por dia é suficiente para fazer com que o corpo de um adulto normal seja beneficiado.

Qualquer pessoa que tem uma alimentação saudável pode incluir alimentos considerados não nutritivos sem acompanhamento especializado?

Existem alguns grupos (de pessoas) que não devem ingerir determinados alimentos sem orientação profissional, principalmente os industrializados e ricos em carboidratos. Os principais exemplos são os obesos que estão em processo de emagrecimento, os diabéticos e aqueles que têm intolerância ao glúten.

O que isso pode acarretar?

No caso dos obesos, um ganho de peso não programado, retrocedendo no emagrecimento. Quanto aos diabéticos e aos intolerantes ao glúten, pode haver uma piora no quadro que eles apresentam.

Como essas pessoas podem usufruir do prazer alimentar?

Há várias opções. Entre elas está o consumo de pães que não levem farinha de trigo na receita, mas farinha de linhaça ou de coco. Eles não são muito baratos, mas compensam na quantidade porque saciam mais a fome. Outra forma é substituir o açúcar por banana em uma receita de bolo: é mais saudável e até mais gostoso.

Qual o critério mais importante na busca do equilíbrio? 

Dar o primeiro passo sabendo que a conquista é gradativa, mas completamente possível.

JORNAL  O TEMPO – PUBLICADO EM 29/06/17 –

O momento de desistir

Como saber qual o instante de seguir em frente e persistir ou de mudar a rota, os planos, o caminho das coisas

Sabe aquela expressão: “Desistir não faz parte de meu vocabulário!”? Pois é, eu já ouvi muita gente boa dizer isso. E, mais de uma vez, fiquei pensando se tal postura significava uma grande força interior da pessoa, digna de respeito, ou denunciava uma teimosia pouco saudável e, neste caso, não merecedora de admiração. Eu mesmo já me vi nessa situação, o que me levou à reflexão sobre os limites. Até que ponto persistir é sinal de determinação e confiança, e em que momento ultrapassamos a linha da prudência e entramos na zona irresponsável daquela insistência que não resistiria ao argumento sólido da análise lógica? Mas é a persistência que é exaltada. A desistência, jamais. Experimente passar os olhos pela seção de obras de autoajuda de uma livraria. Você vai encontrar uma imensa variedade de livros que louvam a persistência e a determinação. São milhares de depoimentos de mulheres e homens ilustres e também de desconhecidos que se tornaram heróis por sua capacidade de superar obstáculos e não desistir jamais. Verdadeiros legados da força de vontade. Longe mim – muito longe mesmo – diminuir o valor desses depoimentos. Todos sabemos que pessoas persistentes são valiosas, não só por suas realizações mas também por seus exemplos, afinal, a determinação, a persistência, a resiliência e a força de vontade são, sim, ingredientes essenciais das conquistas humanas. Mas a questão não é essa. O tema em pauta é dar-se conta
da diferença entre a persistência e a teimosia, o que, pode acreditar, é sutil como um suspiro. Esse assunto faz parte daquilo que eu costumo chamar de “efeito praia”. O que é isso? Bem, é uma metáfora que aprendi nos estudos da biologia, mais precisamente da ecologia. Segundo os estudiosos da área, há os biomas e os ecótonos. Bioma é um meio geográfico que tem formas de vida, como animais e plantas, bem adaptadas, em um ambiente bem definido, como florestas, campos e desertos. Já um ecótono é um meio de transição, que tem características de dois biomas, e se confunde com eles. A praia é um bom exemplo porque tem características do mar e do continente. É uma transição, um meio de passagem, um híbrido, um nem lá nem cá. Pois há sentimentos que também são assim, estão meio lá meio cá, às vezes mais lá do que cá, ou vice-versa. E isso transtorna nossa vida, pode crer. Persistência é um desses estados. Afinal, tal qualidade humana pertence ao continente da força de vontade ou ao oceano da teimosia profunda? Como saber se nos salvaremos com glória ou nos afogaremos? Nos cursos de empreendedorismo esse assunto é tratado com bastante rigor. Empreendedores são pessoas destemidas que têm uma ideia e mobilizam meios para tornar realidade seus sonhos. Eles são fundamentais à economia e ao progresso. Costumam envolver diversas pessoas e apostar alto em um projeto, um sonho individual que vira objetivo coletivo.
Pois mesmo essas pessoas tão importantes à sociedade, quando se aventuram na selva do mercado carregando na mochila ideias, sonhos e determinação, rapidamente percebem que precisam de algumas armas para sobreviver, e uma delas é a estratégia. E faz parte dela considerar o momento de retroceder. As revistas especializadas em negócios costumam reforçar a importância de rever as estratégias e mudar os planos. Isso significa fazer diferente, desistir do que se pretendia e criar uma nova meta. Não há nada de errado nisso. É a aplicação da desistência a favor da conquista. Pode ser paradoxal, mas é disso que se trata. Tentar é necessário. Não conseguir é frustrante, mas faz parte da tentativa. Levantar a cabeça e seguir em frente é dignificante, reinventar-se é glorioso. E saber o momento de mudar de rumo é sinal de inteligência, mesmo que isso signifique desistir. Lembro de uma ocasião em que esse assunto foi discutido com profundidade. O ano era 1984 e eu havia sido convidado para participar de um debate sobre a carreira de médico para um auditório de vestibulandos. Além de mim, mais dois debatedores, médicos conceituados. Um psiquiatra e um cirurgião. Os dois relataram suas experiências, as belezas e dificuldades da carreira, a missão de ser médico, a vocação, a relação com os pacientes, o confronto com a dor e a morte, a vitória da ciência sobre a doença. Relatos maravilhosos e entusiasmantes. Quando chegou minha vez, falei mais da construção de uma carreira, e das dificuldades que todas elas, naturalmente, têm, mas que podem ser enfrentadas com planejamento, muito trabalho e, acima de tudo, persis
tência. Foi quando um aluno se referiu a um fato que tinha ocorrido dias antes. Estavam acontecendo as Olimpíadas de Los Angeles, e um feito tinha ganhado as manchetes do mundo inteiro. Uma maratonista suíça havia concluído a prova cambaleando, com evidente estafa física, puxando uma perna, com a cabeça pendendo para um lado e um ar de sofrimento extremo. Sua atitude foi louvada pela imprensa, como exemplo de persistência, de força superior, de verdadeiro espírito olímpico. Até hoje é, preste atenção. A resposta dos três médicos foi enfática. A atleta havia ultrapassado seus limites e tinha se colocado em grande risco de vida. Seu feito não devia ser louvado, e sim condenado como um ato de irresponsabilidade absoluta. Seu, de seu técnico e da própria organização da prova. É difícil dizer, mas se ela tivesse que avançar mais uma centena de metros talvez tivesse uma lesão cerebral irreversível. Quem pode dizer que não? O filme Everest (2015) conta a história real da tragédia de uma expedição realizada em 1996. O alto preço da expedição, a rivalidade entre os guias de duas equipes e a insistência em não voltar mesmo diante do agravamento das condições provocaram várias mortes e mutilações. Maldita persistência, disse alguém. Desistir não é feio. Feio é não tentar. E mais feio ainda é não reconhecer que errou, que se enganou, que tem que mudar de planos, que pode mudar de ideia. Qual o problema? E na hora da dúvida, sempre dá para recorrer àquela oração que pede coragem para enfrentar o que se pode mudar, serenidade para aceitar o que não pode ser mudado, e sabedoria para perceber a diferença entre essas duas situações.
                                                                        Crédito: Vida Simples Digital, EUGENIO MUSSAK.

Dieta gostosa

Assuma a responsabilidade pelo que você come e deguste o resultado de suas escolhas

Talvez você conheça (ou seja) uma dessas raras pessoas que naturalmente comem pouco – mas será que conhece alguém que não goste de comer? Hum, não sei se existe. A gente não come só para saciar necessidades fisiológicas, mas também porque é uma delícia. E, desde cedo, todo mundo aprende que comida se serve com emoções. Criança malcriada fica sem sobremesa, quem se comporta ganha um doce. Por isso a idéia de fazer dieta pode levá-lo logo a pensar em fome, sacrifício, punição. Está no nosso imaginário: a palavra dieta já vem relacionada a uma folha de alface acompanhada de uma fatia de queijo branco – nada apetitoso.
Acontece que a dieta não tem que ter esse peso desanimador. Porque a dieta ideal é aquela que leva em conta seus gostos e inclui uma ampla variedade de alimentos com calorias e nutrientes suficientes para uma boa saúde. Pense bem: controlar o peso, preocupar-se com o valor nutricional dos alimentos e mesmo ter vaidade são sinais de boa auto-estima. Com informação, você pára de reproduzir, sem pensar, hábitos alimentares herdados da família ou impostos pela publicidade. Quando, claro, isso é vivido com tranqüilidade. A palavra dieta, hoje tão estigmatizada, significava originalmente “modo de vida”. Entre os médicos gregos da Antiguidade, o vocábulo díaita servia para todos os hábitos do dia-a-dia: comer, beber, dormir, namorar, exercitar-se e até pensar. Por essa óptica, dieta é um jeito de viver. Então, fazer dieta é só um jeito de cuidar da vida.

Dieta da não-dieta

Em começo de ano, muita gente faz dieta numa tentativa apressada (e culpada) de se livrar dos excessos cometidos nas férias e nas festas de de­­zem­­bro. Ou dos quilinhos acumulados em anos de descaso com a alimentação. E acaba abusando de dietas da moda, shakes, simpatias. Mas a pressa é inimiga da manutenção. Perder peso de forma definitiva é um aprendizado e requer tempo. É preciso reduzir gradualmente a quantidade de calorias do cardápio e inserir, também pouco a pouco, atividades físicas. Metas ambiciosas de vários quilos eliminados por semana podem até funcionar num primeiro momento. Mas, sem educação alimentar, o indivíduo se coloca em risco, não tem suas metas mantidas a longo prazo e assim tende a perder a motivação para uma nova tentativa.
“Durante uma dieta muito restritiva, o organismo se adapta a funcionar com pouca comida”, explica Daniel Bandoni, nutricionista da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo. “É um mecanismo fisiológico – quando a pessoa retoma a alimentação normal, o corpo entende que é necessário armazenar energia.” Assim, além de ser muito radical, o faminto volta a acumular o peso inicial e pode engordar mais.
As calorias são nosso combustível, resultado da transformação dos alimentos em energia pelo organismo. Ao ser executada, qualquer ação do corpo consome certa quantidade de calorias. Você está queimando calorias neste exato momento, mesmo que esteja lendo a vida simples estendido numa rede. Porque seu coração, seus pulmões e seu cérebro estão em plena atividade, obrigado.
Até piscar os olhos gasta calorias. A questão é que, se você consome 2 mil delas por dia e só gasta 1500, seu corpo começa a estocar o excedente em forma de gordura. O endocrinologista Alfredo Halpern, chefe do grupo de obesidade do Hospital das Clínicas de São Paulo, criou em 1970 um método que facilita essa conta, publicado no livro A Dieta dos Pontos. Ele atribuiu uma pontuação a centenas de alimentos consumidos hoje. Um pão francês, por exemplo, equivale a 40 pontos. Assim, se seu limite diário for de 500 pontos, fica mais fácil saber o que um pãozinho representa. “É um sistema para que o indivíduo aprenda a controlar o que vai comer”, diz o médico. “Eu, particularmente, não gosto muito da palavra dieta. Prefiro autocontrole.”

Equilíbrio no garfo

Dieta, consciência, autocontrole… Depende da perspectiva. O mais importante é que, assim, a gente pode comer de tudo. Porque a vida é imprevisível – você nunca sabe quando pode deparar com um quindim. A conta não precisa fechar com exatidão contábil a cada refeição. Nem a cada dia. Um jantar leve, explica Halpern, pode compensar um almoço exagerado. Um domingo num festival de culinária pode ser equilibrado por uma semana mais moderada. E assim vai. Quando entende o que cada alimento representa para seu corpo, você desenvolve autonomia para comer bem. Pode cometer ousadias eventuais – claro que pode! – e fazer as devidas correções na seqüência.
Além de estabelecer priorida­des, fazer substituições inteligentes também ajuda a manter o peso e, se for o caso, a eliminar quilos excedentes. Essa foi a estratégia do empresário José Marcelo Italiano, de 47 anos, “Chamo minha dieta de troca e, assim, não sinto que como menos”, diz. Pois é, muita gente não gosta mesmo da palavra dieta. Ele trocou o açúcar por mel, a carne vermelha pelas brancas, as farinhas finas por versões integrais, o refrigerante por sucos e chás.
José Marcelo perdeu 12 quilos de barriga, sem passar fome. “Comer continua sendo um grande prazer”, diz. Mais disposto, ele dorme melhor e pratica suas atividades físicas com mais disciplina. Reeducação alimentar é como lavar louça: parece mais chato e difícil antes de você começar.
E comida tem tudo a ver com motivação. A serotonina é o neurotransmissor responsável por desenca­­dear no cérebro sensações agradáveis, de otimismo, prazer e bem-estar, como explica a nutricionista Sonia Tucunduva Philippi no livro A Dieta do Bom Humor. “E como é produzida a serotonina?”, pergunta a autora, em clara provocação. “Entre outros caminhos, por intermédio da… alimentação.”
Os carboidratos complexos, presentes nas versões integrais do arroz, do macarrão e dos pães, ajudam o organismo a liberar o açúcar gradualmente, promovendo uma experiência de bem-estar prolongada. Ao deliciar um chocolate, você sente isso de uma forma mais intensa, mas esse prazer é fugaz, dura só alguns minutos.
Os alimentos são capazes de nos deixar quimicamente mais predispostos a uma vida saudável e feliz. Mas, mal escolhidos ou em proporções inadequadas, eles se acumulam no corpo e se tornam um fator gerador de doen­ças e infelicidade. “O segredo que vale ouro é comer um pouquinho de tudo”, ensina Sonia, que adaptou, em seus trabalhos, a pirâmide nutricio­­nal ao gosto do brasileiro.
Os carboidratos (arroz, mandioca, macarrão etc.), que nos dão ener­­gia, são a base da pirâmide – você po­de consumir de cinco a nove porções por dia. Um nível acima ficam as frutas (de três a cinco porções), os legumes e as verduras (entre quatro e cinco porções). Mais acima, nosso feijão e outras leguminosas, com uma porção, e o leite com seus derivados, em três porções. No topo, eles: doces e gorduras, com uma ou duas porções pequenas de cada. A priori, nada é proibido.

Reeducação alimentar

A publicitária Siomara Misiukas, de 39 anos, só aprendeu isso recentemente. Ela foi obesa quase a vida inteira. Em vários momentos, tomou remédios e fez dietas muito restritivas, que só proporcionavam um emagrecimento temporário e pouco saudável, com queda de cabelo e unhas fracas e danificadas.
No ano passado, aos 96 quilos, Siomara decidiu fazer reeducação alimentar. “É a primeira vez que me sinto magra em toda minha vida”, diz. “Perdi 32 quilos e posso dizer com segurança que não sofri.” Em vez de comer muito duas vezes ao dia, ela passou a comer o necessário seis vezes.
A reeducação alimentar é um processo de aprendizado sobre hábitos alimentares saudáveis. Não se trata de permitir determinados alimentos e proibir outros. Nem é exatamente dieta. A reeducação é acompanhada de dieta, no sentido que conhecemos, quando é necessário eliminar ou ganhar peso ou ainda evitar certos alimentos que podem colocar a saúde em risco (açúcares para diabéticos, glúten para quem tem doença celíaca etc.).

Um pouco de tudo

Para uma pessoa comum, uma alimentação saudável deve abranger cereais, carnes, leite e derivados, legumes, verduras, frutas, leguminosas e, em menor quantidade, doces e gorduras. Tudo, enfim. Sabia que até um pouquinho de colesterol é necessário? Pois é: ele compõe a membrana de todas as células do corpo e é importante para a síntese da bile e de vários hormônios – os sexuais, inclusive. Só que, em excesso, o colesterol pode entupir suas veias e causar problemas cardiovasculares. A questão é a medida.
Como Siomara precisava perder muito peso, a dieta dela previa menos calorias que o necessário para o consumo diário do organismo. Mas o déficit era compensado pela gordura estocada no corpo. Foi com essa queima de estoque que ela emagreceu. E sem passar fome, porque Siomara se sentia saciada com uma refeição a cada três horas, hábito que também mantinha seu metabolismo acelerado.
O metabolismo é o conjunto de transformações químicas que ocorrem dentro do organismo para mantê-lo vivo e saudável. Isso queima calorias. Refeições leves e freqüentes mantêm o metabolismo acelerado. Atividade física também. E com o metabolismo em pleno vapor você emagrece mais rápido.
Foi assim que diagramador de livros Murilo Lopes, de 29 anos, aprendeu a lidar com seu peso. “Entendi que, se comer pouco, posso comer sempre”, diz. Ele nunca colocou no lápis quantas calorias consome diariamente, mas conseguiu emagrecer 25 quilos comendo pouco várias vezes ao dia e dando prioridade a alimentos saudáveis. A principal mudança foi trocar de restaurante. O “prato feito” do almoço deu lugar a um bufê em que pode variar a alimentação e fazer escolhas mais inteligentes.
Quando chegou aos 95 quilos, Murilo também foi liberado pelo médico para prosseguir sozinho. É preciso respeitar a própria estrutura física. De acordo com o especialista, ele, que tem 1,83 metro de altura, pode ser considerado saudável com um ligeiro sobrepeso. Recentemente, Murilo tirou férias e se permitiu engordar alguns quilos. Tudo bem, porque agora ele está no controle. Com a retomada das atividades normais, já voltou a perder peso.
Algumas pesquisas indicam que uma dieta extremamente pobre em calorias pode garantir o aumento da expectativa de vida. Resta saber a quem interessa uma vida excepcionalmente longa sem brigadeiros. Mas fazer dieta é saber que você sempre pode escolher. Quando você sai do ‘automático’ e assume a responsabilidade pelo que come, fica mais fácil definir o que é o ideal.
Como no versinho de Adélia Prado, é importante ter em mente que, sem o corpo, a alma não goza. Então cuide bem de sua fonte mais imediata de prazer. E esteja certo de uma coisa: comer bem é o melhor jeito de continuar comendo com prazer.

Poder é não querer

Diga “Obrigado, eu não quero”. Quando você recusa um pedaço de bolo com um sofrido “Eu não posso”, seu interlocutor se sente incitado a persuadi-lo do contrário.

                                                         Leandro Quintanilha; Revista Vida Simples 06/04/2017 .

                                                          Imagem –  Crédito: Vida Simples Digital.

 

 

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