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E SE EU MORRER HOJE?

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Dieta ‘mais ou menos saudável’ é opção sem tantas restrições

Dietas que prometem rápido emagrecimento surgem a todo momento, mas elas não explicam os prós e os contras das restrições alimentares que indicam. Excluir do cardápio grupos alimentares – proteínas, gorduras ou carboidratos, por exemplo – pode até levar à perda de peso, mas não favorece a saúde. Assim, especialistas em nutrição estão defendendo uma dieta “healthy-ish” (mais ou menos saudável, traduzido do inglês).

“Se você come regularmente alimentos saudáveis, como verduras, legumes e frutas, e se movimenta, não há problema nenhum em querer sair com os amigos, tomar uma cerveja e comer um tira-gosto ou optar por um chocolate na manhã de domingo. Comer tem que ser algo que faça bem à mente, não apenas ao corpo”, defende a médica nutróloga Ana Beatriz Rios, membro da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran).

Ou seja, de acordo com a especialista, é perfeitamente possível equilibrar boa alimentação, prática de atividade física e o “luxo” de comer coisas de “fora do cardápio”, mas sem exageros. “São três conceitos básicos que devem estar em qualquer alimentação: a moderação, a proporcionalidade e a adequação. São eles os responsáveis pela sensatez entre a saúde, o bem-estar e o prazer do paladar”, explica.

Ana Beatriz destaca que essa flexibilidade ajuda também no processo de reeducação alimentar. “Esse equilíbrio incentiva a pessoa a ser ‘fiel’ à rotina de alimentação adotada. Isso diminui as chances de uma sabotagem e de um prejuízo alimentar num possível efeito sanfona”, assegura a especialista.

Foi o bom senso na alimentação que fez a nutricionista Raquel Righi perder mais de 50 kg em menos de três anos. “Quando me vi aos 31 anos pesando 130 kg, caí em mim. A partir de então, passei por uma reeducação alimentar que não era 100% restritiva”, revela.

Raquel conta que durante a semana equilibrava os alimentos com a prática de exercícios físicos e, aos fins de semana, se dava a liberdade de comer algo de fora do cardápio. “Uma taça de vinho ou um pedaço de pizza não eram prejudiciais. Pelo contrário. Já preparava o cardápio semanal pensando no sábado e no domingo. O ato de comer precisa ser prazeroso, mas, é claro, sem exageros dos dois lados”, acredita.

Ela considera ainda que a privação em excesso gera compulsão e culpa de comer algo “errado”. “Se você se sente culpado, se arrepende e acaba exagerando na comida”, reflete.

Contraponto. Por outro lado, a endocrinologista Janaína Koenen, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), considera que, para flexibilizar o cardápio, é preciso estar em harmonia com o peso. “Dar-se o direito de comer algo gostoso, mas pouco nutritivo, vale para as pessoas que estão bem com a balança, por algumas vezes. Aquelas que estão em processo de emagrecimento ou com o cardápio restrito por causa de doença devem evitar (sair da dieta)”, afirma.

Ela ressalta que esse período restritivo não é para sempre, mas que desvios devem ser acompanhados por um profissional, para que os efeitos já conquistados não sejam comprometidos.

Janaína aponta ainda para as falsas promessas das dietas “milagrosas”. “Não existe mágica, muito menos na alimentação. O equilíbrio reside naquilo que faz sentido, que não parece absurdo. Dietas que prometem resultados em pouquíssimo tempo podem estar na boca das pessoas, mas somem logo depois e se mostram ineficientes”, aponta.

Corpo. Uma pesquisa da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, revelou que praticar 30 minutos de caminhada por dia é suficiente para fazer com que o corpo de um adulto normal seja beneficiado.

Qualquer pessoa que tem uma alimentação saudável pode incluir alimentos considerados não nutritivos sem acompanhamento especializado?

Existem alguns grupos (de pessoas) que não devem ingerir determinados alimentos sem orientação profissional, principalmente os industrializados e ricos em carboidratos. Os principais exemplos são os obesos que estão em processo de emagrecimento, os diabéticos e aqueles que têm intolerância ao glúten.

O que isso pode acarretar?

No caso dos obesos, um ganho de peso não programado, retrocedendo no emagrecimento. Quanto aos diabéticos e aos intolerantes ao glúten, pode haver uma piora no quadro que eles apresentam.

Como essas pessoas podem usufruir do prazer alimentar?

Há várias opções. Entre elas está o consumo de pães que não levem farinha de trigo na receita, mas farinha de linhaça ou de coco. Eles não são muito baratos, mas compensam na quantidade porque saciam mais a fome. Outra forma é substituir o açúcar por banana em uma receita de bolo: é mais saudável e até mais gostoso.

Qual o critério mais importante na busca do equilíbrio? 

Dar o primeiro passo sabendo que a conquista é gradativa, mas completamente possível.

JORNAL  O TEMPO – PUBLICADO EM 29/06/17 –

A serventia do encantamento no dia a dia

O cotidiano está cheio de descobertas e prazeres, mas precisamos saber reconhecê-los. Isso nos ajuda a ter uma vida mais feliz e a encontrar poesia onde antes parecia existir apenas cinza

Há pouco tempo soube pelos jornais que apareceria uma superlua e que ela seria a maior de todas em 68 anos. Será mesmo? Não tenho medidor de lua, mas a manchete de um portal dizia assim: “Quer registrar a superlua de hoje no seu celular? Veja aqui dez dicas”. Dez dicas para ver da mesma forma o que todo mundo acha que está vendo? Registrar a Lua no celular, em vez de olhar na cara dela? Que cansaço me deu pensar em selfies lunares… A Lua é super todos os dias, mesmo quando não usa capa nem ganha manchetes nos jornais. É só botar reparo nela. Porém, para isso precisamos reaprender a sentir sem pressa tudo o que está à nossa volta. E, apesar de todos os embrutecimentos que nos cercam, acho que passar o dia todo sem ver, sem escutar, sem provar, sem cheirar, sem tocar o mundo, e sem permitir que ele nos toque, nos afete, nos desarrume por dentro, é viver sem sentido nenhum. Nesse sentido, há mais de 20 anos, tenho viajado por todas as regiões do Brasil para falar da serventia do encantamento na vida da gente. Um dia, eu rabiscava algo sobre isso, antes de uma viagem. Dentro do avião, vi que quase todas as pessoas conversavam ao telefone, mandavam mensagens, batiam fotos, balançavam a cabeça com seus fones no ouvido. Mas não me senti tão sozinho quando reparei que uma mulher escrevia a lápis em uma folha de papel almaço e parava para contemplar o movimento dos passageiros e das comissárias. Nem sabia que ainda existem pessoas que escrevem a lápis em folhas de papel almaço. Senti vontade de saber o que ela tanto escrevia enquanto olhava, e o que tanto olhava enquanto escrevia. Entretanto, na maioria das vezes, imaginar me tenta ainda mais do que saber. Para dar um pouco de descanso na imaginação, olhei pela janela, mas quase tive um troço quando li o que eu já havia lido tantas vezes, sem parar para refletir. Estava escrito lá: NÃO PISE NA ASA. E eu não sabia o que fazer com aquela perturbação. Afinal, eu pensava, para quem será que escreveram um aviso tão desatinado? Para um pelicano alfabetizado? Para um anjo leitor? Para uma alienígena viciada em pisadas de asa? Pensei em pedir à aeromoça que clareasse o meu tormento, mas achei que ela também poderia entrar em parafuso e espalhar desnorteio entre os passageiros. Ao meu lado, um homem fotografava a própria tela do computador, e a tela estava cheia de gráficos ainda mais assustadores que aviso para pelicano. Então tive mesmo que conviver sozinho com aquela frase, até o avião pousar. Dias depois, jantando com um velho amigo, perguntei se já havia reparado naquela história de não pisar na asa, e ele, rindo da minha angústia, me explicou: “Rapaz, não é possível que você não saiba… esse lembrete é para os caras da manutenção não pisarem naquele local específico, enquanto estiverem trabalhando”. Naquele momento, disse ao meu amigo: “Muito obrigado, você acaba de pisar na minha asa”. Esse episódio me leva a um poema do Mario Quintana chamado Crenças, publicado no livro Velório sem Defunto (Alfaguara). “Seu Glicínio porteiro acredita que rato, depois de velho, vira morcego / É uma crença que ele traz da sua infância. / Não o desiludas com o teu vão saber. / Não o esclareça dos seus queridos enganos. / Não se deve tirar o brinquedo de uma criança. / Tenha ela oito ou oitenta anos.” Seu Glicínio porteiro me faz pensar: para que servem essas explicações de tirar brinquedo? Qual o gosto de passar uma caneta vermelha na fantasia alheia? Quantas vezes será que pisamos na asa de alguém com o nosso vão saber? Na realidade, mais do que tudo, acho que só tiramos o brinquedo de alguém quando não conseguimos enxergar a nossa própria asa, tão atrofiada por falta de uso. E, se não enxergamos a nossa própria asa, como vamos enxergar a asa do outro? Quantas vezes também será que nós pisamos, abrindo mão dos nossos desejos mais simples, mais legítimos, mais autênticos? No rastro dessas perguntas, há dois anos, passei uns dias com o meu filho, Gabriel, em Buenos Aires, capital portenha. Chegamos lá com roteiros que amigos nos fizeram de tudo o que não poderíamos deixar de conhecer, e realmente conhecemos lugares deliciosos, mas gostamos ainda mais de nos perder pela cidade, flanando, sem roteiros, sem mapas, de café em café, de uma praça a outra, de cena em cena, de pessoa em pessoa. Foram dias feitos de conversas, sentidos, silêncios, reparos. E, no meio
de um desses reparos, quando estávamos prestes a fazer um passeio de ônibus pela cidade, escutamos um casal que conversava atrás de nós. Palavras da mulher, enquanto entrávamos no ônibus: “Ai, que cheiro de flor… Não gosto de cheiro de flor”. Ao meu lado, já sentado, Gabriel comentou a frase: “Dizer que não gosta de cheiro de flor é o mesmo que dizer que não gosta de vida, não acha? Para mim, foi pior que se ela dissesse: ‘Eu detesto cheiro de flor’. Eu acho que não gostar é pior que detestar”, me disse o meu filho, na época com 14 anos. Concordei com ele. Se ela dissesse que detesta cheiro de flor, poderia estar num mau dia, aborrecida por algum acontecimento, movida por alguma emoção de destrambelhar lucidez. Mas ela só disse que não gostava, com tranquilidade, sem raiva, sem escândalos, simplesmente como quem diz que não gosta de vida. “Não gosto de cheiro de flor”, a frase despetalava minha ideia, enquanto descíamos para ver a Plaza de Mayo e escutávamos mais resmungos da mulher e também do homem que estava com ela. “Meu Deus, que frio, meu Deus, como as coisas estão caras, meu Deus, que demora para descer do ônibus” – eles diziam. E eu pensava: meu Deus, por que não olham pela janela, meu Deus, por que não beijam na boca, meu Deus, por que não param de amolar Deus e aproveitam o dia? À noite, deitado na cama, fiquei pensando ainda mais. Quem sabe o cheiro das flores joga na cara daqueles dois toda a vida que eles não vivem? De fato, não é fácil sentir cheiro de vida perdida. Ah, o casal era também nosso vizinho de porta, no hotel. Não fomos de excursão, mas compramos o mesmo pacote que ambos. Sim, eles tinham o mesmo pacote, mas uma forma tão diferente de desembrulhá-lo… Depois que constatei isso, tive vontade de mandar para eles uns alfajores, um vinho e um texto pervertido da (escritora francesa) Anaïs Nïn, para ver se aqueles dois conseguiam encher a cara de sonho, mas não deu tempo. No dia seguinte, eles já estavam de malas nas mãos, partindo para outro lugar. E, antes de seguir para o café da manhã e comer todas as rodelas de pomelo rosado (toranja) do hotel, enquanto via que as malas do casal eram iguais
e tinham a mesma cor, uma pergunta ficou me perturbando: o que vai na bagagem de quem não gosta de cheiro de flor? Há umas semanas, essa história me veio à memória, quando almocei no Biscui, restaurante que dá cheiro de flor ao meu dia. Sentada à minha frente, uma moça pediu ao gentil garçom Fábio: “Por favor, eu gostaria de uma água com gás e um pouco de gelo espremido… Me desculpe, gostaria de um limão espremido”, ela se corrigiu. E eu pensava, não se desculpe por essa beleza que você acabou de criar, não se desculpe, que eu vou passar a vida com inveja de você por nunca antes ter feito esse pedido. Na saída, a moça estava ao meu lado, na fila do caixa. Perguntei o seu nome, falei da minha inveja incontida, revelei que eu contaria essa história numa crônica, e ela riu da própria criação. “Foi sem querer que eu disse isso, mas logo depois eu vi que um gelo espremido não tinha sentido”, constatou a Meli. Não sei se é assim que se escreve o seu nome. Só sei que disse a ela que as coisas mais belas muitas vezes nascem sem querer e que a poesia não é para ter sentido. A poesia, que está disponível para nós, à nossa volta, é para provocar os sentidos, eu diria hoje à Meli, que depois saiu do restaurante puxando uma mala de rodinhas. Para onde a poesia mais me puxa? Por onde eu mais gosto de puxá-la? Para onde a vida mais tem puxado a Meli? Depois daquela experiência, fiquei com urgência de ir a um restaurante, só para puxar uma cadeira e pedir um copo de gelo espremido. Pensar em gelos espremidos me deu desejo de reler uma entrevista que fiz na década de 90 com o (escritor) Manoel de Barros, por conta do seu livro Exercícios de Ser Criança (Salamandra). Nessa entrevista, o poeta me disse que criar imagens e metáforas é uma maneira de aumentar o mundo e me explicou por que as crianças sabem fazer isso tão bem. “Se digo que me enferrujei de lata, criei uma coisa nova. Criei um ser humano que fica enferrujado, que nem um prego. As crianças criam essas imagens porque ignoram prescrições e regulamentos do sério. A criança não sabe o comportamento das coisas. E pode inventar. Pode botar aflição nas pedras, e assim por diante. Ela não sabe se pedra tem aflição, por isso cria”, me escreveu o Manoel, à máquina, com remendos feitos à mão. Por que será que pensar em remendos feitos à mão me amansa tanto e me dá tanta gana de desordem? “O gosto pela liberdade se manifesta nas desobediências. Andar de costas na chuva é sinal de liberdade”, Manoel também me disse nessa entrevista. Na praça perto de casa, em Copacabana, num fim de tarde, vi uma menina de 6 anos que andava em zigue-zague, seguindo os desenhos das pedras, ou as aflições delas, quem sabe? Mas logo a mãe pisou na asa da filha: “Anda direito, Marcela!” E a menina passou a andar em linha reta, sem curvas, sem surpresas, sem criar imagens, de cabeça baixa. Que cena… Será que a Marcela jamais vai andar de costas na chuva? Tomara que ande, tomara que ande. Imagino a Marcela daqui a 30 anos fazendo um curso para reaprender a entortar os passos, subverter mesmices, viver e trabalhar com criatividade e honestidade intelectual. Acho que só quando desobedecemos é que criamos algo realmente nosso e exercitamos a nossa autenticidade. Também acredito que nem toda pessoa autêntica é feliz, mas que toda pessoa feliz, de alguma forma, é autêntica. No entanto, por medo de sermos rejeitados, criticados, corrigidos, censurados e esquecidos, passamos a vida presos a regulamentos do sério, abrimos mão dos nossos zigue-zagues mais íntimos, e deixamos de olhar, agir e pensar com originalidade. É assim que nos afastamos da fantasia e de tudo o que ela tem de mais humano, transformador, apetitoso, revelador, essencial. “PARE, OLHE, ESCUTE”, me manda a placa da estação ferroviária, à beira de um trilho, numa cidade do interior de São Paulo onde estive outro dia. Num mundo cada vez mais cheio de pressa, olhos embaçados, ruídos, e cobranças pragmáticas, obedecer à placa de uma pequena estação de trem é uma transgressão irresistível.
 Crédito: Vida Simples Digital; MÁRCIO VASSALLO; 10/07/2017.

O momento de desistir

Como saber qual o instante de seguir em frente e persistir ou de mudar a rota, os planos, o caminho das coisas

Sabe aquela expressão: “Desistir não faz parte de meu vocabulário!”? Pois é, eu já ouvi muita gente boa dizer isso. E, mais de uma vez, fiquei pensando se tal postura significava uma grande força interior da pessoa, digna de respeito, ou denunciava uma teimosia pouco saudável e, neste caso, não merecedora de admiração. Eu mesmo já me vi nessa situação, o que me levou à reflexão sobre os limites. Até que ponto persistir é sinal de determinação e confiança, e em que momento ultrapassamos a linha da prudência e entramos na zona irresponsável daquela insistência que não resistiria ao argumento sólido da análise lógica? Mas é a persistência que é exaltada. A desistência, jamais. Experimente passar os olhos pela seção de obras de autoajuda de uma livraria. Você vai encontrar uma imensa variedade de livros que louvam a persistência e a determinação. São milhares de depoimentos de mulheres e homens ilustres e também de desconhecidos que se tornaram heróis por sua capacidade de superar obstáculos e não desistir jamais. Verdadeiros legados da força de vontade. Longe mim – muito longe mesmo – diminuir o valor desses depoimentos. Todos sabemos que pessoas persistentes são valiosas, não só por suas realizações mas também por seus exemplos, afinal, a determinação, a persistência, a resiliência e a força de vontade são, sim, ingredientes essenciais das conquistas humanas. Mas a questão não é essa. O tema em pauta é dar-se conta
da diferença entre a persistência e a teimosia, o que, pode acreditar, é sutil como um suspiro. Esse assunto faz parte daquilo que eu costumo chamar de “efeito praia”. O que é isso? Bem, é uma metáfora que aprendi nos estudos da biologia, mais precisamente da ecologia. Segundo os estudiosos da área, há os biomas e os ecótonos. Bioma é um meio geográfico que tem formas de vida, como animais e plantas, bem adaptadas, em um ambiente bem definido, como florestas, campos e desertos. Já um ecótono é um meio de transição, que tem características de dois biomas, e se confunde com eles. A praia é um bom exemplo porque tem características do mar e do continente. É uma transição, um meio de passagem, um híbrido, um nem lá nem cá. Pois há sentimentos que também são assim, estão meio lá meio cá, às vezes mais lá do que cá, ou vice-versa. E isso transtorna nossa vida, pode crer. Persistência é um desses estados. Afinal, tal qualidade humana pertence ao continente da força de vontade ou ao oceano da teimosia profunda? Como saber se nos salvaremos com glória ou nos afogaremos? Nos cursos de empreendedorismo esse assunto é tratado com bastante rigor. Empreendedores são pessoas destemidas que têm uma ideia e mobilizam meios para tornar realidade seus sonhos. Eles são fundamentais à economia e ao progresso. Costumam envolver diversas pessoas e apostar alto em um projeto, um sonho individual que vira objetivo coletivo.
Pois mesmo essas pessoas tão importantes à sociedade, quando se aventuram na selva do mercado carregando na mochila ideias, sonhos e determinação, rapidamente percebem que precisam de algumas armas para sobreviver, e uma delas é a estratégia. E faz parte dela considerar o momento de retroceder. As revistas especializadas em negócios costumam reforçar a importância de rever as estratégias e mudar os planos. Isso significa fazer diferente, desistir do que se pretendia e criar uma nova meta. Não há nada de errado nisso. É a aplicação da desistência a favor da conquista. Pode ser paradoxal, mas é disso que se trata. Tentar é necessário. Não conseguir é frustrante, mas faz parte da tentativa. Levantar a cabeça e seguir em frente é dignificante, reinventar-se é glorioso. E saber o momento de mudar de rumo é sinal de inteligência, mesmo que isso signifique desistir. Lembro de uma ocasião em que esse assunto foi discutido com profundidade. O ano era 1984 e eu havia sido convidado para participar de um debate sobre a carreira de médico para um auditório de vestibulandos. Além de mim, mais dois debatedores, médicos conceituados. Um psiquiatra e um cirurgião. Os dois relataram suas experiências, as belezas e dificuldades da carreira, a missão de ser médico, a vocação, a relação com os pacientes, o confronto com a dor e a morte, a vitória da ciência sobre a doença. Relatos maravilhosos e entusiasmantes. Quando chegou minha vez, falei mais da construção de uma carreira, e das dificuldades que todas elas, naturalmente, têm, mas que podem ser enfrentadas com planejamento, muito trabalho e, acima de tudo, persis
tência. Foi quando um aluno se referiu a um fato que tinha ocorrido dias antes. Estavam acontecendo as Olimpíadas de Los Angeles, e um feito tinha ganhado as manchetes do mundo inteiro. Uma maratonista suíça havia concluído a prova cambaleando, com evidente estafa física, puxando uma perna, com a cabeça pendendo para um lado e um ar de sofrimento extremo. Sua atitude foi louvada pela imprensa, como exemplo de persistência, de força superior, de verdadeiro espírito olímpico. Até hoje é, preste atenção. A resposta dos três médicos foi enfática. A atleta havia ultrapassado seus limites e tinha se colocado em grande risco de vida. Seu feito não devia ser louvado, e sim condenado como um ato de irresponsabilidade absoluta. Seu, de seu técnico e da própria organização da prova. É difícil dizer, mas se ela tivesse que avançar mais uma centena de metros talvez tivesse uma lesão cerebral irreversível. Quem pode dizer que não? O filme Everest (2015) conta a história real da tragédia de uma expedição realizada em 1996. O alto preço da expedição, a rivalidade entre os guias de duas equipes e a insistência em não voltar mesmo diante do agravamento das condições provocaram várias mortes e mutilações. Maldita persistência, disse alguém. Desistir não é feio. Feio é não tentar. E mais feio ainda é não reconhecer que errou, que se enganou, que tem que mudar de planos, que pode mudar de ideia. Qual o problema? E na hora da dúvida, sempre dá para recorrer àquela oração que pede coragem para enfrentar o que se pode mudar, serenidade para aceitar o que não pode ser mudado, e sabedoria para perceber a diferença entre essas duas situações.
                                                                        Crédito: Vida Simples Digital, EUGENIO MUSSAK.

A Sabedoria da transformação

Ikkyu-san tornou-se monge muito cedo. Era considerado esperto demais e as pessoas sempre tentavam tirá-lo de seu centro de equilíbrio. Certo dia, sabendo que ele gostava muito de peixe assado, um senhor o convidou para orar em sua casa. Terminada a oração, ofereceu a ele uma refeição, como era de praxe, e colocou  o peixe saboroso bem à sua frente. Ikkyu-san fez rapidamente a prece de agradecimento e começou a comer o peixe.

As pessoas à sua volta comentavam: ´´Mas é monge. Está quebrando o preceito de não matar. Isso não está certo“.

Iukkyu-san continuava comendo alegremente. Até que alguém, não aguentando mais, falou em voz alta: ´´Monge, o que é isso? Comendo peixe?“. E o pequenino Ikkyu, sem titubear, respondeu: ´´O peixe está virando monge“. Não nos tornamos o que comemos, mas o que comemos se torna nosso corpo e nossa mente. A questão é: sabemos retribuir a toda nossa vida? Somos sustentados por tudo o que existe. Não existe nada separado.

Monja Coen, A sabedoria da transformação: Reflexões e Experiências; revista Bons Fluidos pág. 45; Ed. 219.

A terapia de casal pode ser indicada para casal de namorados? Ou é coisa apenas dos casados?

A terapia de casal pode ser indicada para casal de namorados? Ou é coisa apenas dos casados?

A terapia de casal tem como objetivo fazer com que casais superem seus problemas e retomem a felicidade e a leveza. Sendo assim, é completamente válido que um casal de namorados que passa por problemas procure a ajuda de um terapeuta de casais.

Quando optar pela terapia de casal?

Os casais podem optar pela terapia devido aos mais diversos problemas, como: ciúmes excessivo, discussões cada vez mais longas e frequentes, cobranças em excesso, divergência de interesses e planos, intolerância entre o casal, entre outros problemas.

Geralmente, ao procurar por terapia, o casal já tentou diversas formas de solucionar as divergências, sem sucesso. Acontece que, absorto em seus conflitos, os casais não enxergam os problemas de maneira ampla, tampouco de maneira imparcial. A imparcialidade trazida pelo terapeuta de casais é que fará com que o casal possa enxergar o lado do outro, compreender as razões, necessidades e mágoas do parceiro, ao mesmo tempo em que se expressa e é compreendido.

A importância da terapia de casal para os casais de namorados

Quando se trata de casais de namorados, a terapia de casal tem especial importância, pois ajuda o casal a superar conflitos que, se não superados, podem se tornar problemas ainda maiores depois do casamento, fase em que a convivência se intensifica e qualquer desarranjo se torna um incômodo maior.

Como funciona a terapia para casais de namorados?

O primeiro passo buscado pela terapia de casal é a recuperação da comunicação, fazendo com que o casal converse e coloque para fora o que estava guardado e incomodando. Casais precisam entender que não existe relação harmônica quando o diálogo não é pleno. Tudo precisa ser falado, nenhum incomodo deve ser escondido do outro.

Recuperada a comunicação, tendo as versões do problema sido expostas pelo casal, o terapeuta de casais os ajudará a desenvolver estratégias que solucionem os conflitos. O casal será orientado quanto a melhores formas de agir, para que no dia a dia possam fortalecer a relação estremecida.

É importante que o casal realmente queira recuperar a harmonia do relacionamento, pois situações assim podem demandar esforço, abrindo mão onde for possível abrir, cedendo onde for possível ceder, mantendo a comunicação estável, dentre outros pontos.

A terapia de casal orienta, mas o casal é quem decide.

A terapia de casal não dita regras, apenas orienta e busca soluções conjuntas para um melhor relacionamento. Cabe ao casal tomar as decisões necessárias para recuperar a harmonia da relação.

 

Por Ana Carolina Morici

E na Falta que eu me faço

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Qual a Diferença Entre Alegria e Felicidade- Polêmica

Organizando a minha biblioteca encontrei um livro que li algum tempo atrás escrito pelo Dalai Lama, que me tocouDEUS                                                                                                               profundamente .

Diante disso decidi postar  alguma coisa sobre o livro.

Relendo a contra capa percebi que ali resumia muito bem o que continha no livro.

 

“Uma ética Para O Segundo Milênio”, Lama Dalai- Editora Sextante.

 

SOFRIMENTO

Cada uma de nossas ações consciente e , de certa forma, toda a nossa vida podem ser vistas como respostas á grande pergunta que desafia a todos: “Como posso ser feliz?”

No entanto, estranhamente, minha impressão é que as pessoas que vivem em países de grande desenvolvimento material são de certa forma menos satisfeitas, menos felizes do que as que vivem em países menos desenvolvidos .

Esse sofrimento interior está claramente associado a uma confusão cada vez maior sobre o que de fato constitui a moralidade e quais são seus fundamentos.

A meu ver, criamos uma sociedade em que as pessoas acham cada vez mais difícil demonstrar um mínimo de afeto aos outros. Em vez da noção de comunidade e da sensação de fazer parte de um grupo, encontramos um alto grau de solidão e perda de laços afetivos.

O que gera essa situação é a retórica contemporânea  de crescimento e desenvolvimento econômico, que  reforça intensamente a tendência das pessoas para a competitividade e inveja. E com isso vem a percepção da necessidade de manter as aparências- por si só uma importante fonte de problemas, tensões e infelicidade.

O descaso pela dimensão interior do homem fez com que todos os grandes movimentos dos últimos cem anos ou mais- democracia, liberalismo, socialismo- tenham deixado de produzir os benefícios que deveriam ter proporcionado ao mundo, apesar de tantas idéias maravilhosas.

Meu apelo por uma revolução por uma revolução espiritual não é um apelo por uma revolução religiosa.

Considero que a espiritualidade esteja relacionada com aquelas qualidades do espírito humano- tais como amor e compaixão, paciência, tolerância, capacidade de perdoar, contentamento, noção de responsabilidade, noção de harmonia- que trazem felicidade tanto para a própria pessoa quanto para os outros.”

A espiritualidade embora para alguns seja irrelevante, pode ser o caminho para tornar o ser humano mais ético.  É uma questão para questionar ou mesmo começar a pensar sobre isso em meio a tantas indagações sobre o que é felicidade? Quem eu sou? Por que estou aqui neste mundo? Para onde vamos? Qual o sentido da vida?

 

Pérolas para Lidar com a Loucura do Dia a Dia

Sempre digo que somos nosso maior inimigo, vivemos aprisionados pelo ego . O ego(eu) é o que “deseja”, que impõe e ao mesmo tempo nos torna a pessoa que somos, singulares.Dia das Crianças no Ambulatório de Neurologia do HC

No livro de autoria do padre Fábio de Melo, “Quem me Roubou de Mim” podemos fazer uma leitura sobre o quanto somos prisioneiros de nós mesmos. Somos sequestrados diariamente pelos nossos vícios, padrões de comportamentos repetitivos inassertivos, pensamentos repetitivos que tiram nosso sono e não levam a solução nenhuma.

Sequestrados somos  quando o “outro” deixa de ser um companheiro de viagem e torna-se nosso objeto de escolha, como dizia Sartre: “O inferno é o outro” .  A vida é feita de escolhas, quando deixamos o outro escolher por nós somos seqüestradores de nós mesmos . Penso que o inferno é o outro no momento que ocupamos o lugar de vítima e nos fragilizamos, mesmo admitindo que em algumas situações somos impotentes  para  agir porém não nos tornamos reféns, podemos ter controle dos nossos pensamentos e sentimentos para sermos resilientes .

O controle do ego é muito importante neste processo onde as emoções e os desejos poderão ser frustrados, projetos adiados, escolhas reestruturadas  e novos caminhos traçados. Saber lidar com emoções como a frustração, perda, angústia e a falta com um olhar crítico e maduro faz parte da trajetória na busca da conquista.

Questionar o que é perder? Perder muitas vezes é ganhar. Focar na meta percebendo que o caminho é o trajeto para alcançá-la sabendo que os objetivos traçados muitas vezes devem ser revistos e que podem falhar porém não significa que a meta será perdida.

Álex Rovira ,escritor, economista fala sobre três maneiras de enfrentar a vida:

Atitude observadora:  São pessoas que preferem deixar os outros assumirem os papéis dasua vida. São pessimistas e costumam pensar que não têm controle da sua vida.

Atitude crítica: São pessoas que reclamam de tudo e jamais assumem a culpa pelas suas dificuldades. Não têm controle da sua própria vida.

Atitude ativa: São pessoas que aprendem com tudo que os cerca. São entusiasmados e positivos, e , é claro, são capazes de manter as rédeas de sua própria vida.

“Não posso levar o mundo nos ombros se mal suporto o peso de meu casaco de inverno.”Kafka

 

 

 

 

Estressado? Pare com Isso, Você Consegue.

ESPAÇO   OBOMDEVIVER   – obomdeviver é ter prazer em viver! relaxamento

Criado para você, parar por uma hora durante a semana e cuidar do seu corpo e da sua mente. Pensar em qualidade de vida, redescobrir seus sonhos, organizar seu tempo, colocar os pensamentos no lugar. Relaxar, deixar a energia fluir.  

Espaço voltado para ajudä-lo a aprender usar o bom stress (eutress) e liberar o mau stress . Ampliar a consciência e a capacidade do seu eu interior.

O que significa ego? Egoista, egocêntrico, ao se conceituar essas palavras ainda ficamos confusos.

Lembro-me de uma estória que li há tempos atrás contada por um mestre budista:

“Um discípulo chega diante do mestre e pergunta: Mestre o que devo fazer para tornar as pessoas felizes?

O mestre responde: Satisfaça o seu ego.

Mestre mas assim não estarei sendo egoísta?  Explica o mestre: Assim seu ego ficará feliz e te deixará livre para fazer os outros felizes. ”

O encontro consigo mesmo, auto valorização, estar presente com seu verdadeiro eu,  concentrar-se no essencial de si mesmo, voltar o olhar para o que mais valioso sua vida te trás, focar em sua história e o trajeto que busca seguir é ser companheiro de si mesmo.

Ao satisfazer a si mesmo o ser humano se liberta para viver o seu verdadeiro eu, a essência da sua personalidade que foi se moldando ao longo da vida,  perdendo a sua genuinidade ao retomá-la  se torna mais forte e autêntico. Somos antes de tudo seres singulares, capazes de pensar, meditar, fazermos escolhas. “Ao olharmos para dentro de nós com responsabilidade e sinceridade abrimos os sentidos para uma vida mais livre em pensamentos , emoções, comportamentos e intuição.”

Responsabilizando-nos pelos nossos atos deixamos de neurotizar, colocamos  o sentimento de culpa como ponto de reflexão e o medo como desafio ao invés de paralisarmos, avançamos. De vítimas ou algozes nos tornamos atores da nossa história.

É fato que para isto acontecer precisamos estar com a mente tranquila e alerta, evitar distrações, desorientações é fundamental. Relacionando com os nossos pensamentos e emoções somos capazes de descobrirmos quem somos e qual o sentido de nossas vidas.

Pensamento, consciência, responsabilidade, alma, uma sequência que norteia toda a energia da vida.

Energia vital equilibrada trás saúde física, psíquicoemocional, prosperidade, paz e qualidade de vida

ESPAÇO OBOMDEVIVER:

Ambiente harmonizado, preparado para reequilibrar as energias do corpo e da mente, relaxar profundamente, experenciar uma revitalização da sua saúde e promover qualidade de vida  para  você no seu dia a dia.

Para você, aprender a respirar melhor, entrar em contato com a sua essência, sua personalidade, equilibrar  suas energias vitais, relaxar e promover saúde para seu  corpo e  sua mente.

Programa de 12 sessões -Life Coaching  ( Coaching de vida)

Programa de 20 sessões- Coaching de Emagrecimento, associado as técnicas de emagrecimento de A. Beck  ( Pense Magro) e hipnose de Sofia Bauer/Milton Ericksson

Programa de 10 sessões-  Stress Coaching – Associada as técnicas do ISMA – Instituto americano especializado no tratamento do stress,  CD de relaxamento (neurolinguística), práticas orientais.

Informações sobre o espaço e as técnicas-31-91551609

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