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A serventia do encantamento no dia a dia

O cotidiano está cheio de descobertas e prazeres, mas precisamos saber reconhecê-los. Isso nos ajuda a ter uma vida mais feliz e a encontrar poesia onde antes parecia existir apenas cinza

Há pouco tempo soube pelos jornais que apareceria uma superlua e que ela seria a maior de todas em 68 anos. Será mesmo? Não tenho medidor de lua, mas a manchete de um portal dizia assim: “Quer registrar a superlua de hoje no seu celular? Veja aqui dez dicas”. Dez dicas para ver da mesma forma o que todo mundo acha que está vendo? Registrar a Lua no celular, em vez de olhar na cara dela? Que cansaço me deu pensar em selfies lunares… A Lua é super todos os dias, mesmo quando não usa capa nem ganha manchetes nos jornais. É só botar reparo nela. Porém, para isso precisamos reaprender a sentir sem pressa tudo o que está à nossa volta. E, apesar de todos os embrutecimentos que nos cercam, acho que passar o dia todo sem ver, sem escutar, sem provar, sem cheirar, sem tocar o mundo, e sem permitir que ele nos toque, nos afete, nos desarrume por dentro, é viver sem sentido nenhum. Nesse sentido, há mais de 20 anos, tenho viajado por todas as regiões do Brasil para falar da serventia do encantamento na vida da gente. Um dia, eu rabiscava algo sobre isso, antes de uma viagem. Dentro do avião, vi que quase todas as pessoas conversavam ao telefone, mandavam mensagens, batiam fotos, balançavam a cabeça com seus fones no ouvido. Mas não me senti tão sozinho quando reparei que uma mulher escrevia a lápis em uma folha de papel almaço e parava para contemplar o movimento dos passageiros e das comissárias. Nem sabia que ainda existem pessoas que escrevem a lápis em folhas de papel almaço. Senti vontade de saber o que ela tanto escrevia enquanto olhava, e o que tanto olhava enquanto escrevia. Entretanto, na maioria das vezes, imaginar me tenta ainda mais do que saber. Para dar um pouco de descanso na imaginação, olhei pela janela, mas quase tive um troço quando li o que eu já havia lido tantas vezes, sem parar para refletir. Estava escrito lá: NÃO PISE NA ASA. E eu não sabia o que fazer com aquela perturbação. Afinal, eu pensava, para quem será que escreveram um aviso tão desatinado? Para um pelicano alfabetizado? Para um anjo leitor? Para uma alienígena viciada em pisadas de asa? Pensei em pedir à aeromoça que clareasse o meu tormento, mas achei que ela também poderia entrar em parafuso e espalhar desnorteio entre os passageiros. Ao meu lado, um homem fotografava a própria tela do computador, e a tela estava cheia de gráficos ainda mais assustadores que aviso para pelicano. Então tive mesmo que conviver sozinho com aquela frase, até o avião pousar. Dias depois, jantando com um velho amigo, perguntei se já havia reparado naquela história de não pisar na asa, e ele, rindo da minha angústia, me explicou: “Rapaz, não é possível que você não saiba… esse lembrete é para os caras da manutenção não pisarem naquele local específico, enquanto estiverem trabalhando”. Naquele momento, disse ao meu amigo: “Muito obrigado, você acaba de pisar na minha asa”. Esse episódio me leva a um poema do Mario Quintana chamado Crenças, publicado no livro Velório sem Defunto (Alfaguara). “Seu Glicínio porteiro acredita que rato, depois de velho, vira morcego / É uma crença que ele traz da sua infância. / Não o desiludas com o teu vão saber. / Não o esclareça dos seus queridos enganos. / Não se deve tirar o brinquedo de uma criança. / Tenha ela oito ou oitenta anos.” Seu Glicínio porteiro me faz pensar: para que servem essas explicações de tirar brinquedo? Qual o gosto de passar uma caneta vermelha na fantasia alheia? Quantas vezes será que pisamos na asa de alguém com o nosso vão saber? Na realidade, mais do que tudo, acho que só tiramos o brinquedo de alguém quando não conseguimos enxergar a nossa própria asa, tão atrofiada por falta de uso. E, se não enxergamos a nossa própria asa, como vamos enxergar a asa do outro? Quantas vezes também será que nós pisamos, abrindo mão dos nossos desejos mais simples, mais legítimos, mais autênticos? No rastro dessas perguntas, há dois anos, passei uns dias com o meu filho, Gabriel, em Buenos Aires, capital portenha. Chegamos lá com roteiros que amigos nos fizeram de tudo o que não poderíamos deixar de conhecer, e realmente conhecemos lugares deliciosos, mas gostamos ainda mais de nos perder pela cidade, flanando, sem roteiros, sem mapas, de café em café, de uma praça a outra, de cena em cena, de pessoa em pessoa. Foram dias feitos de conversas, sentidos, silêncios, reparos. E, no meio
de um desses reparos, quando estávamos prestes a fazer um passeio de ônibus pela cidade, escutamos um casal que conversava atrás de nós. Palavras da mulher, enquanto entrávamos no ônibus: “Ai, que cheiro de flor… Não gosto de cheiro de flor”. Ao meu lado, já sentado, Gabriel comentou a frase: “Dizer que não gosta de cheiro de flor é o mesmo que dizer que não gosta de vida, não acha? Para mim, foi pior que se ela dissesse: ‘Eu detesto cheiro de flor’. Eu acho que não gostar é pior que detestar”, me disse o meu filho, na época com 14 anos. Concordei com ele. Se ela dissesse que detesta cheiro de flor, poderia estar num mau dia, aborrecida por algum acontecimento, movida por alguma emoção de destrambelhar lucidez. Mas ela só disse que não gostava, com tranquilidade, sem raiva, sem escândalos, simplesmente como quem diz que não gosta de vida. “Não gosto de cheiro de flor”, a frase despetalava minha ideia, enquanto descíamos para ver a Plaza de Mayo e escutávamos mais resmungos da mulher e também do homem que estava com ela. “Meu Deus, que frio, meu Deus, como as coisas estão caras, meu Deus, que demora para descer do ônibus” – eles diziam. E eu pensava: meu Deus, por que não olham pela janela, meu Deus, por que não beijam na boca, meu Deus, por que não param de amolar Deus e aproveitam o dia? À noite, deitado na cama, fiquei pensando ainda mais. Quem sabe o cheiro das flores joga na cara daqueles dois toda a vida que eles não vivem? De fato, não é fácil sentir cheiro de vida perdida. Ah, o casal era também nosso vizinho de porta, no hotel. Não fomos de excursão, mas compramos o mesmo pacote que ambos. Sim, eles tinham o mesmo pacote, mas uma forma tão diferente de desembrulhá-lo… Depois que constatei isso, tive vontade de mandar para eles uns alfajores, um vinho e um texto pervertido da (escritora francesa) Anaïs Nïn, para ver se aqueles dois conseguiam encher a cara de sonho, mas não deu tempo. No dia seguinte, eles já estavam de malas nas mãos, partindo para outro lugar. E, antes de seguir para o café da manhã e comer todas as rodelas de pomelo rosado (toranja) do hotel, enquanto via que as malas do casal eram iguais
e tinham a mesma cor, uma pergunta ficou me perturbando: o que vai na bagagem de quem não gosta de cheiro de flor? Há umas semanas, essa história me veio à memória, quando almocei no Biscui, restaurante que dá cheiro de flor ao meu dia. Sentada à minha frente, uma moça pediu ao gentil garçom Fábio: “Por favor, eu gostaria de uma água com gás e um pouco de gelo espremido… Me desculpe, gostaria de um limão espremido”, ela se corrigiu. E eu pensava, não se desculpe por essa beleza que você acabou de criar, não se desculpe, que eu vou passar a vida com inveja de você por nunca antes ter feito esse pedido. Na saída, a moça estava ao meu lado, na fila do caixa. Perguntei o seu nome, falei da minha inveja incontida, revelei que eu contaria essa história numa crônica, e ela riu da própria criação. “Foi sem querer que eu disse isso, mas logo depois eu vi que um gelo espremido não tinha sentido”, constatou a Meli. Não sei se é assim que se escreve o seu nome. Só sei que disse a ela que as coisas mais belas muitas vezes nascem sem querer e que a poesia não é para ter sentido. A poesia, que está disponível para nós, à nossa volta, é para provocar os sentidos, eu diria hoje à Meli, que depois saiu do restaurante puxando uma mala de rodinhas. Para onde a poesia mais me puxa? Por onde eu mais gosto de puxá-la? Para onde a vida mais tem puxado a Meli? Depois daquela experiência, fiquei com urgência de ir a um restaurante, só para puxar uma cadeira e pedir um copo de gelo espremido. Pensar em gelos espremidos me deu desejo de reler uma entrevista que fiz na década de 90 com o (escritor) Manoel de Barros, por conta do seu livro Exercícios de Ser Criança (Salamandra). Nessa entrevista, o poeta me disse que criar imagens e metáforas é uma maneira de aumentar o mundo e me explicou por que as crianças sabem fazer isso tão bem. “Se digo que me enferrujei de lata, criei uma coisa nova. Criei um ser humano que fica enferrujado, que nem um prego. As crianças criam essas imagens porque ignoram prescrições e regulamentos do sério. A criança não sabe o comportamento das coisas. E pode inventar. Pode botar aflição nas pedras, e assim por diante. Ela não sabe se pedra tem aflição, por isso cria”, me escreveu o Manoel, à máquina, com remendos feitos à mão. Por que será que pensar em remendos feitos à mão me amansa tanto e me dá tanta gana de desordem? “O gosto pela liberdade se manifesta nas desobediências. Andar de costas na chuva é sinal de liberdade”, Manoel também me disse nessa entrevista. Na praça perto de casa, em Copacabana, num fim de tarde, vi uma menina de 6 anos que andava em zigue-zague, seguindo os desenhos das pedras, ou as aflições delas, quem sabe? Mas logo a mãe pisou na asa da filha: “Anda direito, Marcela!” E a menina passou a andar em linha reta, sem curvas, sem surpresas, sem criar imagens, de cabeça baixa. Que cena… Será que a Marcela jamais vai andar de costas na chuva? Tomara que ande, tomara que ande. Imagino a Marcela daqui a 30 anos fazendo um curso para reaprender a entortar os passos, subverter mesmices, viver e trabalhar com criatividade e honestidade intelectual. Acho que só quando desobedecemos é que criamos algo realmente nosso e exercitamos a nossa autenticidade. Também acredito que nem toda pessoa autêntica é feliz, mas que toda pessoa feliz, de alguma forma, é autêntica. No entanto, por medo de sermos rejeitados, criticados, corrigidos, censurados e esquecidos, passamos a vida presos a regulamentos do sério, abrimos mão dos nossos zigue-zagues mais íntimos, e deixamos de olhar, agir e pensar com originalidade. É assim que nos afastamos da fantasia e de tudo o que ela tem de mais humano, transformador, apetitoso, revelador, essencial. “PARE, OLHE, ESCUTE”, me manda a placa da estação ferroviária, à beira de um trilho, numa cidade do interior de São Paulo onde estive outro dia. Num mundo cada vez mais cheio de pressa, olhos embaçados, ruídos, e cobranças pragmáticas, obedecer à placa de uma pequena estação de trem é uma transgressão irresistível.
 Crédito: Vida Simples Digital; MÁRCIO VASSALLO; 10/07/2017.

Depressão não é sinônimo de tristeza

Acontece nas melhores e nas piores empresas. O colega é motivado, esperto, capaz de agir rápido. Encontra belas soluções para os maiores desafios e sempre cumpre prazos. Não tem preguiça. Veste o figurino do mundo corporativo e circula em ambientes refrigerados, mas faz o estilo Capitão Nascimento: “Missão dada é missão cumprida”.

Até que, sem razão aparente, começa a sentir dificuldades de concentração. Uns esquecimentos aqui e ali. Não consegue mais planejar e tomar decisões como antes. Os colegas acham que ficou acomodado. Criam a versão que lhes parece mais conveniente e espalham o veneno: “Mais um espertinho fazendo corpo mole”.

O chefe interpreta a nova postura como falta de comprometimento. Conclui que ele não veste mais a camisa da empresa e o inclui rapidamente na lista dos que, em breve, serão “promovidos ao mercado”.  Quem sofre não sabe o que tem, mas sabe que alguma coisa está errada. Uma colega observadora desconfia de depressão. Ninguém a leva a sério. “Como ele pode estar deprimido se conversa, brinca, sorri? Quem está deprimido fica triste, resmunga, chora no banheiro”, diz alguém.

Esse é um roteiro bem conhecido pelos especialistas em saúde mental. Frequente nas empresas, mas raramente administrado como se deve pelos gestores. Depressão não é sinônimo de tristeza. Nem sempre a tristeza é o principal sintoma. Às vezes, o que aparece são as dificuldades cognitivas já mencionadas ou só perda de prazer.

Qual é o impacto da depressão no ambiente de trabalho no Brasil? Até recentemente pouco se sabia a respeito. Os resultados da maior pesquisa sobre o tema, divulgada em primeira mão nesta coluna, dão pistas importantes.

Mil adultos com idades entre 18 e 64 anos, trabalhadores ou gestores em empresas instaladas no país, preencheram questionários detalhados pela internet. A pesquisa faz parte de um estudo já realizado em vários países da Europa, com financiamento da empresa farmacêutica Lundbeck.

No Brasil, a análise dos resultados ficou a cargo de Clarice Gorenstein, professora do departamento de farmacologia da Universidade de São Paulo (USP), e do médico Wang Yuan-Pang, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas.

“Ainda existem muitos estigmas em relação à doença, seus sintomas e suas consequências”, diz Clarice. “Os gestores não se dão conta da magnitude do prejuízo que a depressão pode causar à produtividade dos empregados e, consequentemente, à produtividade da empresa.”

Os principais resultados:

• Quase 20% dos entrevistados afirmaram já ter recebido diagnóstico de depressão
•  33% dos que tiveram depressão precisaram se ausentar do trabalho em algum momento
• 53% disseram conhecer alguém no ambiente de trabalho que teve depressão
• Depois do período de afastamento por depressão, as mulheres voltam ao trabalho, em média, depois de 56 dias
• Os homens demoram mais. Voltam depois de 80 dias.

“Os homens costumam resistir à ideia de procurar um médico”, diz Wang. “O tratamento começa quando a situação já se agravou e, por isso, eles demoram mais a voltar ao trabalho depois do afastamento.”

Apenas uma em cada dez pessoas reconhece que indecisão, esquecimento e dificuldade de concentração podem ser sinais de depressão. Apesar do desconhecimento em relação a isso, 53% das pessoas que tiveram depressão afirmaram ter sentido um ou mais desses sintomas.

Entre os gestores, o despreparo é notável. Eles são muito preocupados com metas, mas dão pouca atenção às condições emocionais dos subordinados – apesar disso ser uma séria ameaça aos resultados perseguidos.

Gestores que sabem lidar com gente são joias raras. Na pesquisa, a maioria disse que as empresas têm recursos para lidar com a depressão, mas eles sentem falta de apoio formal. Ou seja: não há programas e políticas internas para lidar com o problema.

“No estudo, verificamos que poucos gestores reconhecem a indecisão e a falta de concentração como sintomas de depressão”, diz Clarice. A maioria não faz essa relação.

O que, afinal, causa a depressão? Problemas na família? Trânsito? Violência? Ou o próprio trabalho? A depressão do sujeito foi disparada pelo chefe ou pelo casamento ruim? Pelo assédio moral na empresa ou por sua condição sócio-econômica?

Nos casos em que o sofrimento é decorrente do ambiente de trabalho é sempre difícil estabelecer aquilo que os juristas chamam de nexo causal, mas não é impossível. Aqui o  psiquiatra e médico do trabalho Duílio Antero de Camargo explica como fazer isso.

Duilio é um especialista no fenômeno do presenteísmo – aquela situação em que o funcionário não falta ao trabalho, mas trabalha doente.

A coisa é mais ou menos assim: a pessoa trabalha num ritmo insano, enfrenta pressões e acostuma-se a ouvir reclamações constantes da chefia em reuniões constrangedoras. Passa anos nesse ritmo como se esse fosse o ambiente natural de sua profissão. Não reclama, por medo de perder o emprego ou porque não quer ser considerado um fraco.

Até que um dia os problemas emocionais começam a aparecer. Pode ficar ansioso, meio deprimido ou sentir medo. Se isso durar um dia ou outro e não atrapalhar a vida do sujeito, significa que ele ainda não está sofrendo de uma doença psiquiátrica.

Se a ansiedade, a depressão e o medo perdurarem e começarem a provocar problemas físicos (taquicardia, hipertensão, dores de cabeça, insônia, por exemplo) pode ser o sinal de que um transtorno mental está instalado.

Esse é um terreno fértil para uma série de males, entre eles transtorno do pânico, depressão, transtornos do sono, síndrome de burnout (esgotamento total) etc.

Quem preza a própria saúde precisa perceber o que está em jogo. Será que vale a pena competir, suportar todas as pressões, conquistar um salário invejável e depois torrá-lo no psiquiatra?

“Metas cada vez mais difíceis e todo tipo de pressão leva ao adoecimento”, diz Camargo. “Quanto mais falamos sobre o assunto, mais as pessoas têm condições de fazer uma autocrítica sobre as situações que estão vivendo.”

Esse é o valor dessa pesquisa. Ela quantifica algo que estava no ar, flutuando no espaço dos temas incômodos, das verdades que poucos gostam de assumir.

Agora o quadro está claro. Abaixo alguns dos sinais de depressão. Há vários outros. Alguns podem aparecer, outros não.

* Distúrbios do sono
* Falta ou aumento do apetite
* Cansaço
* Diminuição da libido
* Tonturas, palpitações ou mal-estar constante

* Impaciência
* Perda do senso de humor
* Tristeza
* Dificuldade de tomar decisões
* Medo, angústia, insegurança

* Baixo nível de concentração
* Expectativas negativas
* Avaliação negativa de si mesmo, do mundo e do futuro
* Perfeccionismo
* Tendência ao isolamento

Por Cristiane Segatto, 2 de julho de 2017.

TEXTO ORIGINAL DE ÉPOCA

PARA NÃO SABOTAR OS PRÓPRIOS SONHOS

Quem deseja materializar sonhos sabe que há um preço a pagar.
É quase impossível alcançar objetivos sem foco, disciplina e algum sacrifício.
Disso resulta que não são poucos os que desistem no meio do caminho ou mesmo próximo ao ponto de chegada. Até os mais confiantes experimentam sentimentos de vulnerabilidade que os levam a sabotar os próprios sonhos. Eles procrastinam, abandonam projetos e desistem de trabalhos importantes, mesmo em fase de acabamento.
Nessas horas, é fundamental alimentar o senso de disciplina e a confiança realística para combater a negatividade e prevenir ataques de desânimo. Vejamos alguns antídotos que podem ajudar a instalar circuitos constantes de ação mais eficaz e afastar o risco de virarmos sabotadores de sonhos.
Haja com autonomia, mas cuide dos impulsos. Faça escolhas com independência, entretanto, guie-se por princípios para não violentar seus valores fundamentais.
O imediatismo não é bom conselheiro. Considere as implicações de seus atos para além das circunstâncias imediatas, por isso, avalie o impacto das decisões a tomar pelo menos no médio prazo.
A dissipação de tempo e esforço, por exemplo, é inimiga da eficiência e da autoestima. Assim, antes de iniciar um projeto, verifique se ele está afinado aos seus propósitos; os recursos a utilizar; o retorno a obter e planeje sua ação sem perder de vista esses aspectos.
Lembre-se de que a energia pessoal é um recurso tão valioso quanto o tempo. Daí, se depois de exame consciencioso, você decidir iniciar um curso de ação, veja o que o estimula e o que costuma sugar sua energia.

Há diversas formas de energizar a ação. Esteja atento aos seguintes pontos.
Se o desânimo for ocasionado pelo cansaço, faça intervalos estratégicos (não muito longos), o suficiente para repor energias. Uma metodologia ruim dificulta tarefas e acrescenta fadiga, faça pequenas paradas para reavaliar o método de trabalho.
Mantenha a autoestima. O sentimento de menos valia pessoal mina a autoconfiança, repercutindo negativamente no estilo de trabalho.

Nos ataques de baixa autoestima, visualize sua história de vida, relembre feitos e conquistas. Isto fortalece a confiança e ajuda a retomar a tarefa com vigor. Seja humilde e acessível. Peça ajuda e orientações. Diga aos amigos a necessidade de receber incentivos e feedback sobre o que conseguiu realizar. Essa iniciativa evitará sentimentos de desamparo, além de incrementar sua força psicológica.
Procure fontes de inspiração. Invoque para seus sonhos, a força de pessoas que não fugiram de si mesmas e cujas ações são modelares e lembram de que se foi possível para eles, também pode ser para você. Quando nos sentimos inspirados temos mais tolerância à frustração e tentamos mais, antes de desistir, então, inspire-se. Veja quem são seus modelos e não hesite em incorporar formas de agir e pensar na materialização de seu sonho.
Sobre a disposição humana para devotar-se a uma causa ou sonho, Viktor Frankl, psiquiatra austríaco, trouxe pensamentos esclarecedores. No livro ‘A Busca do Sentido’, ele demonstra sua crença na capacidade do homem de dedicar-se a algo para além das limitações. Sobre isso ele diz: ‘o homem é o ser que sempre decide o que ele é’.
Outra noção sobre o assunto pode ser extraída do pensamento de Nietzsche – filósofo dedicado à busca do entendimento da condição humana. É dele o convite ‘Ouse conquistar a si mesmo’ que conclamava todos a tomar posse de si para deixarem de serem vítimas do destino. Finalizando esta reflexão, repetimos o convite nietzschiano: ouse conquistar a si mesmo! Saiba, vai haver momentos de extrema confiança e outros de fraqueza. A despeito deles, prossiga.
Mude métodos ou planos; só não desista de você.

NÃO ESTAMOS PREPARADOS PARA SERMOS PAIS DOS NOSSOS PAIS

Nascemos filhos. E esperamos ser filhos para sempre. Mimados, educados, amados. Que nossos pais invistam doses cavalares de amor em todo nosso caminho pela vida. Que, quando a vida doer, haja um colo materno. Que quando a vida angustiar, encontremos neles um conselho sábio. E, quando isso nos falta, há sempre uma lacuna, um sentimento estranho de sermos exceção. Mesmo adultos, esperamos reconhecer nossa meninice nos olhos dos nossos pais. Desejamos, intimamente, atenções miúdas, como a comida favorita no dia do aniversário ou a camiseta do time de futebol se estamos na casa deles.

Não estamos prontos para trocar de lugar nesta relação.

É difícil aceitar que nossos pais envelheçam. Entender que as pequenas limitações que começam a apresentar não é preguiça nem desdém. Que não é porque se esqueceram de dar o recado que não se importam com a nossa urgência. Que pedem para repetirmos a mesma frase porque não escutam mais tão bem – e às vezes, não está surdo o ouvido mas distraído o cérebro. Demora até aceitarmos que não são mais os mesmos – que dirá “super-heróis”? Não podemos dividir toda a nossa angústia e todos os nossos problemas porque, para eles, as proporções são ainda maiores e aí tudo se desregula: o ritmo cardíaco, a pressão, a taxa glicêmica, o equilíbrio emocional.

Vamos ficando um pouco cerimoniosos por amor. Tentando poupar-lhes do que é evitável. Então, sem querer, começamos a inverter os papéis de proteção. Passamos a tentar resguardar nossos pais dos abalos do mundo. Dizemos que estamos bem, apesar da crise. Amenizamos o diagnóstico do pediatra para a infecção do neto parecer mais branda. Escondemos as incompreensões do casamento para parecer que construímos uma família eterna. Filtramos a angústia que pode ser passageira ao invés de dividir qualquer problema. Não precisam preocupar-se: estaremos bem no final do dia e no final das nossas vidas.

Mas, enquanto mudamos esses pequenos detalhes na nossa relação, ficamos um pouco órfãos. Mantemos os olhos abertos nas noites insones sem poder correr chorando para a cama dos pais. Escondemos deles o medo de perder o emprego, o cônjuge ou a casa para que não sofram sem necessidade e, aí, estamos sós nessa espera; não há colo nem bala nem cafuné para consolar-nos.
Quanto mais eles perdem memória, vigor, audição, mais sozinhos nos sentimos, sem compreender por que o inevitável aconteceu. Pode até surgir alguma revolta interior por esperar deles que reagissem ao envelhecimento do corpo, que lutassem mais a favor de si, sem percebermos, na nossa própria desorientação, que eles não têm a mesma consciência que nós, não têm como impedir a passagem do tempo ou que possuem, simplesmente, o direito de sentirem-se cansados.
Então pode chegar o dia em que nossos pais se transformem, de fato, em nossos filhos. Que precisemos lembrá-los de comer, de tomar o remédio ou de pagar uma conta. Que seja necessário conduzi-los nas ruas ou dar-lhes as mãos para que não caiam nas escadas. Que tenhamos que prepará-los e colocá-los na cama. Talvez até alimentá-los, levando o talher a sua boca.

E eles serão filhos piores porque lembrarão que são seus pais. Reagirão as suas primeiras investidas porque sabem que, no fundo, você acha que lhes deve obediência. Enfraquecerão seus primeiros argumentos e tentarão provar que ainda podem ser independentes, mesmo quando esse momento tiver passado, porque é difícil imaginarem-se sem o controle total das próprias rotinas. Mas cederão paulatinamente, quando a força física ou mental reduzir-se e puderem encontrar no seu amor por eles o equilíbrio para todas as mudanças que os assustam.
Não será fácil para você. Não é a lógica da vida. Mesmo que você seja pai, ninguém o preparou para ser pai dos seus pais. E se você não o é, terá que aprender as nuances desse papel para proteger aqueles que ama.
Mas, se puder, sorria diante dos comentários senis ou cante enquanto estiverem comendo juntos. Ouça aquela história contada tantas vezes como se fosse a primeira e faça perguntas como se tudo fosse inédito. E beije-os na testa com toda a ternura possível, como quando se coloca uma criança na cama, prometendo-lhe que, ao abrir os olhos na manhã seguinte, o mundo ainda estará lá, como antes, intocável, para ela brincar.
Porque se você chegou até aqui ao lado dos seus pais, com a porta aberta para interferir em suas vidas, foi porque tiveram um longo percurso de companheirismo. E propor-se a viver esse momento com toda a intensidade só demonstrará o quanto é grande a sua capacidade de amar e de retribuir o amor que a vida lhe ofereceu.

                                                                                                                                                                                                                                                                                                    INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA Pais e Filhos
                                                                                              TEXTO ORIGINAL DE OBVIOUS

A terapia de casal pode ser indicada para casal de namorados? Ou é coisa apenas dos casados?

A terapia de casal pode ser indicada para casal de namorados? Ou é coisa apenas dos casados?

A terapia de casal tem como objetivo fazer com que casais superem seus problemas e retomem a felicidade e a leveza. Sendo assim, é completamente válido que um casal de namorados que passa por problemas procure a ajuda de um terapeuta de casais.

Quando optar pela terapia de casal?

Os casais podem optar pela terapia devido aos mais diversos problemas, como: ciúmes excessivo, discussões cada vez mais longas e frequentes, cobranças em excesso, divergência de interesses e planos, intolerância entre o casal, entre outros problemas.

Geralmente, ao procurar por terapia, o casal já tentou diversas formas de solucionar as divergências, sem sucesso. Acontece que, absorto em seus conflitos, os casais não enxergam os problemas de maneira ampla, tampouco de maneira imparcial. A imparcialidade trazida pelo terapeuta de casais é que fará com que o casal possa enxergar o lado do outro, compreender as razões, necessidades e mágoas do parceiro, ao mesmo tempo em que se expressa e é compreendido.

A importância da terapia de casal para os casais de namorados

Quando se trata de casais de namorados, a terapia de casal tem especial importância, pois ajuda o casal a superar conflitos que, se não superados, podem se tornar problemas ainda maiores depois do casamento, fase em que a convivência se intensifica e qualquer desarranjo se torna um incômodo maior.

Como funciona a terapia para casais de namorados?

O primeiro passo buscado pela terapia de casal é a recuperação da comunicação, fazendo com que o casal converse e coloque para fora o que estava guardado e incomodando. Casais precisam entender que não existe relação harmônica quando o diálogo não é pleno. Tudo precisa ser falado, nenhum incomodo deve ser escondido do outro.

Recuperada a comunicação, tendo as versões do problema sido expostas pelo casal, o terapeuta de casais os ajudará a desenvolver estratégias que solucionem os conflitos. O casal será orientado quanto a melhores formas de agir, para que no dia a dia possam fortalecer a relação estremecida.

É importante que o casal realmente queira recuperar a harmonia do relacionamento, pois situações assim podem demandar esforço, abrindo mão onde for possível abrir, cedendo onde for possível ceder, mantendo a comunicação estável, dentre outros pontos.

A terapia de casal orienta, mas o casal é quem decide.

A terapia de casal não dita regras, apenas orienta e busca soluções conjuntas para um melhor relacionamento. Cabe ao casal tomar as decisões necessárias para recuperar a harmonia da relação.

 

Por Ana Carolina Morici

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