O Bom de Viver.com.br

Início » Posts etiquetados como 'internet'

Arquivo da tag: internet

O momento de desistir

Como saber qual o instante de seguir em frente e persistir ou de mudar a rota, os planos, o caminho das coisas

Sabe aquela expressão: “Desistir não faz parte de meu vocabulário!”? Pois é, eu já ouvi muita gente boa dizer isso. E, mais de uma vez, fiquei pensando se tal postura significava uma grande força interior da pessoa, digna de respeito, ou denunciava uma teimosia pouco saudável e, neste caso, não merecedora de admiração. Eu mesmo já me vi nessa situação, o que me levou à reflexão sobre os limites. Até que ponto persistir é sinal de determinação e confiança, e em que momento ultrapassamos a linha da prudência e entramos na zona irresponsável daquela insistência que não resistiria ao argumento sólido da análise lógica? Mas é a persistência que é exaltada. A desistência, jamais. Experimente passar os olhos pela seção de obras de autoajuda de uma livraria. Você vai encontrar uma imensa variedade de livros que louvam a persistência e a determinação. São milhares de depoimentos de mulheres e homens ilustres e também de desconhecidos que se tornaram heróis por sua capacidade de superar obstáculos e não desistir jamais. Verdadeiros legados da força de vontade. Longe mim – muito longe mesmo – diminuir o valor desses depoimentos. Todos sabemos que pessoas persistentes são valiosas, não só por suas realizações mas também por seus exemplos, afinal, a determinação, a persistência, a resiliência e a força de vontade são, sim, ingredientes essenciais das conquistas humanas. Mas a questão não é essa. O tema em pauta é dar-se conta
da diferença entre a persistência e a teimosia, o que, pode acreditar, é sutil como um suspiro. Esse assunto faz parte daquilo que eu costumo chamar de “efeito praia”. O que é isso? Bem, é uma metáfora que aprendi nos estudos da biologia, mais precisamente da ecologia. Segundo os estudiosos da área, há os biomas e os ecótonos. Bioma é um meio geográfico que tem formas de vida, como animais e plantas, bem adaptadas, em um ambiente bem definido, como florestas, campos e desertos. Já um ecótono é um meio de transição, que tem características de dois biomas, e se confunde com eles. A praia é um bom exemplo porque tem características do mar e do continente. É uma transição, um meio de passagem, um híbrido, um nem lá nem cá. Pois há sentimentos que também são assim, estão meio lá meio cá, às vezes mais lá do que cá, ou vice-versa. E isso transtorna nossa vida, pode crer. Persistência é um desses estados. Afinal, tal qualidade humana pertence ao continente da força de vontade ou ao oceano da teimosia profunda? Como saber se nos salvaremos com glória ou nos afogaremos? Nos cursos de empreendedorismo esse assunto é tratado com bastante rigor. Empreendedores são pessoas destemidas que têm uma ideia e mobilizam meios para tornar realidade seus sonhos. Eles são fundamentais à economia e ao progresso. Costumam envolver diversas pessoas e apostar alto em um projeto, um sonho individual que vira objetivo coletivo.
Pois mesmo essas pessoas tão importantes à sociedade, quando se aventuram na selva do mercado carregando na mochila ideias, sonhos e determinação, rapidamente percebem que precisam de algumas armas para sobreviver, e uma delas é a estratégia. E faz parte dela considerar o momento de retroceder. As revistas especializadas em negócios costumam reforçar a importância de rever as estratégias e mudar os planos. Isso significa fazer diferente, desistir do que se pretendia e criar uma nova meta. Não há nada de errado nisso. É a aplicação da desistência a favor da conquista. Pode ser paradoxal, mas é disso que se trata. Tentar é necessário. Não conseguir é frustrante, mas faz parte da tentativa. Levantar a cabeça e seguir em frente é dignificante, reinventar-se é glorioso. E saber o momento de mudar de rumo é sinal de inteligência, mesmo que isso signifique desistir. Lembro de uma ocasião em que esse assunto foi discutido com profundidade. O ano era 1984 e eu havia sido convidado para participar de um debate sobre a carreira de médico para um auditório de vestibulandos. Além de mim, mais dois debatedores, médicos conceituados. Um psiquiatra e um cirurgião. Os dois relataram suas experiências, as belezas e dificuldades da carreira, a missão de ser médico, a vocação, a relação com os pacientes, o confronto com a dor e a morte, a vitória da ciência sobre a doença. Relatos maravilhosos e entusiasmantes. Quando chegou minha vez, falei mais da construção de uma carreira, e das dificuldades que todas elas, naturalmente, têm, mas que podem ser enfrentadas com planejamento, muito trabalho e, acima de tudo, persis
tência. Foi quando um aluno se referiu a um fato que tinha ocorrido dias antes. Estavam acontecendo as Olimpíadas de Los Angeles, e um feito tinha ganhado as manchetes do mundo inteiro. Uma maratonista suíça havia concluído a prova cambaleando, com evidente estafa física, puxando uma perna, com a cabeça pendendo para um lado e um ar de sofrimento extremo. Sua atitude foi louvada pela imprensa, como exemplo de persistência, de força superior, de verdadeiro espírito olímpico. Até hoje é, preste atenção. A resposta dos três médicos foi enfática. A atleta havia ultrapassado seus limites e tinha se colocado em grande risco de vida. Seu feito não devia ser louvado, e sim condenado como um ato de irresponsabilidade absoluta. Seu, de seu técnico e da própria organização da prova. É difícil dizer, mas se ela tivesse que avançar mais uma centena de metros talvez tivesse uma lesão cerebral irreversível. Quem pode dizer que não? O filme Everest (2015) conta a história real da tragédia de uma expedição realizada em 1996. O alto preço da expedição, a rivalidade entre os guias de duas equipes e a insistência em não voltar mesmo diante do agravamento das condições provocaram várias mortes e mutilações. Maldita persistência, disse alguém. Desistir não é feio. Feio é não tentar. E mais feio ainda é não reconhecer que errou, que se enganou, que tem que mudar de planos, que pode mudar de ideia. Qual o problema? E na hora da dúvida, sempre dá para recorrer àquela oração que pede coragem para enfrentar o que se pode mudar, serenidade para aceitar o que não pode ser mudado, e sabedoria para perceber a diferença entre essas duas situações.
                                                                        Crédito: Vida Simples Digital, EUGENIO MUSSAK.

ALGUMAS RESPOSTAS PARA A BANALIZAÇÃO DO MAL

Nas cenas do cotidiana, o mal se banalizou. Mais um exemplo são as cinco palavras, tatuadas à força na testa de um jovem de 17 anos: “Eu sou ladrão e vacilão”. A tortura ocorreu por ele ser suspeito de roubar uma bicicleta em São Bernardo do Campo (SP).

Agressão no adolescente gerou indignação, mas também admiração pelos internautas.
Somos um país que lidera o ranking mundial de linchamentos e homicídios, que banalizou assistir à população fazer justiça com as próprias mãos. Porém, podemos encontrar na filosofia e na psicanálise algumas respostas para entender a banalização do mal. Segundo Theodor Adorno, a principal característica da sociedade de massas não é somente a perda da individualidade, mas a perda da sensibilidade.

O que estamos assistindo todos os dias é a herança da apatia burguesa, que contaminou indivíduos de todas classes sociais, que se tornaram indiferentes a esses acontecimentos e que ainda defendem de forma odiosa essas atitudes brutais nas redes sociais.
Assim o mal embrutece determinadas pessoas diante do sofrimento causado pelo guerra, miséria, injustiça, tortura, repressão e barbárie, como sendo normal a coisificação humana. No seu livro “A Banalidade do Mal”, Hannah Arendt, mostrou que a multidão é incapaz de fazer julgamentos morais e insensível a toda dor e injustiça.

A psicanálise interpreta que a banalização do mal na sociedade atual é a vazão que algumas pessoas fornecem a sua pulsão de morte, conhecida como tânatos. Uma vez que odiosidade e a agressividade são forças que coabitam no ser humano e se manifestam nos conflitos banais de maneira mórbida em nosso cotidiano.

A pulsão de morte simboliza no interior do ser humano como autodestruição, e para o exterior se revela como pulsão de destruição. Por isso, existem pessoas que deixam o seu “demônio interior” falar mais alto, estabelecendo o limite entre o somático e o psíquico, arrastando o organismo a agir em direção do mal. Fiódor Dostoiévski escreveu que sabemos secretamente da existência de um demônio oculto, que habita em nós.

Não é por acaso que fundamentalismo político e religioso se aproveitam da banalização do mal, para destruir o espaço público, criando uma sociedade de indivíduos atomizados, que zanzam pelos shoppings centers tentam esquecer o medo da pobreza. Além disso, esse discurso de ódio desrespeita as diferenças e quer impor as suas normas através da força, condenando todos os que pensam de outro modo.

Entretanto para Jean-Jacques Rousseau o homem só se torna homem, ou seja, torna-se humano pela piedade e a piedade está presente nas pessoas de boa vontade, pois dessa virtude brotam a generosidade, a clemência, a bondade e a benquerença. São poderes mentais, emocionais e espirituais que colocados em ação asseguram a defesa da dignidade humana e recusam a banalização do mal, a fim de bloquearmos a “força luciférica”, que insiste morar dentro de nós.

Por

Jackson César Buonocore, 19 junho de 2017. Psicologias do Brasil.

 

PARA NÃO SABOTAR OS PRÓPRIOS SONHOS

Quem deseja materializar sonhos sabe que há um preço a pagar.
É quase impossível alcançar objetivos sem foco, disciplina e algum sacrifício.
Disso resulta que não são poucos os que desistem no meio do caminho ou mesmo próximo ao ponto de chegada. Até os mais confiantes experimentam sentimentos de vulnerabilidade que os levam a sabotar os próprios sonhos. Eles procrastinam, abandonam projetos e desistem de trabalhos importantes, mesmo em fase de acabamento.
Nessas horas, é fundamental alimentar o senso de disciplina e a confiança realística para combater a negatividade e prevenir ataques de desânimo. Vejamos alguns antídotos que podem ajudar a instalar circuitos constantes de ação mais eficaz e afastar o risco de virarmos sabotadores de sonhos.
Haja com autonomia, mas cuide dos impulsos. Faça escolhas com independência, entretanto, guie-se por princípios para não violentar seus valores fundamentais.
O imediatismo não é bom conselheiro. Considere as implicações de seus atos para além das circunstâncias imediatas, por isso, avalie o impacto das decisões a tomar pelo menos no médio prazo.
A dissipação de tempo e esforço, por exemplo, é inimiga da eficiência e da autoestima. Assim, antes de iniciar um projeto, verifique se ele está afinado aos seus propósitos; os recursos a utilizar; o retorno a obter e planeje sua ação sem perder de vista esses aspectos.
Lembre-se de que a energia pessoal é um recurso tão valioso quanto o tempo. Daí, se depois de exame consciencioso, você decidir iniciar um curso de ação, veja o que o estimula e o que costuma sugar sua energia.

Há diversas formas de energizar a ação. Esteja atento aos seguintes pontos.
Se o desânimo for ocasionado pelo cansaço, faça intervalos estratégicos (não muito longos), o suficiente para repor energias. Uma metodologia ruim dificulta tarefas e acrescenta fadiga, faça pequenas paradas para reavaliar o método de trabalho.
Mantenha a autoestima. O sentimento de menos valia pessoal mina a autoconfiança, repercutindo negativamente no estilo de trabalho.

Nos ataques de baixa autoestima, visualize sua história de vida, relembre feitos e conquistas. Isto fortalece a confiança e ajuda a retomar a tarefa com vigor. Seja humilde e acessível. Peça ajuda e orientações. Diga aos amigos a necessidade de receber incentivos e feedback sobre o que conseguiu realizar. Essa iniciativa evitará sentimentos de desamparo, além de incrementar sua força psicológica.
Procure fontes de inspiração. Invoque para seus sonhos, a força de pessoas que não fugiram de si mesmas e cujas ações são modelares e lembram de que se foi possível para eles, também pode ser para você. Quando nos sentimos inspirados temos mais tolerância à frustração e tentamos mais, antes de desistir, então, inspire-se. Veja quem são seus modelos e não hesite em incorporar formas de agir e pensar na materialização de seu sonho.
Sobre a disposição humana para devotar-se a uma causa ou sonho, Viktor Frankl, psiquiatra austríaco, trouxe pensamentos esclarecedores. No livro ‘A Busca do Sentido’, ele demonstra sua crença na capacidade do homem de dedicar-se a algo para além das limitações. Sobre isso ele diz: ‘o homem é o ser que sempre decide o que ele é’.
Outra noção sobre o assunto pode ser extraída do pensamento de Nietzsche – filósofo dedicado à busca do entendimento da condição humana. É dele o convite ‘Ouse conquistar a si mesmo’ que conclamava todos a tomar posse de si para deixarem de serem vítimas do destino. Finalizando esta reflexão, repetimos o convite nietzschiano: ouse conquistar a si mesmo! Saiba, vai haver momentos de extrema confiança e outros de fraqueza. A despeito deles, prossiga.
Mude métodos ou planos; só não desista de você.

SOBRE O CÉU DE CADA UM: PARTIDAS E CHEGADAS.

As despedidas pedem que a gente descubra onde fica o nosso céu, particular, tão nosso que independa da previsão do tempo, do outro e da própria vida. Sobra espaço no vazio, a dor faz eco nas gavetas e armários, o perfume fica com medo de se perder nos dias que passam. A esquina fica longe, falta coragem, sobra dor.

O silêncio, esse barulho que reside na alma, se aconchega em nossos braços. Chega sorrateiro e conta das coisas vividas e do que faltou viver, das juras perdidas no chuveiro aberto, no café costumeiro, no lençol cansado.

A gente chora, como se o mundo se perdesse dentro de um cômodo, dilúvios, tsunamis, enxurradas, tempestades da alma, pedindo tempo para o corpo voltar pra onde reside. Anoitecer e amanhecer, várias vezes, vira uma janela pra isso tudo, olhos que atravessam paredes, vozes que ensurdecem, músicas que acalmam.

Aí, a gente procura o próprio céu, perdido no meio das coisas deixadas, amontoadas, amarrotadas. Volta no tempo, refaz os caminhos, estende as mãos pra quem fomos e quem somos. Serve um café pra solidão, beija o silêncio, abraça o que sobrou de nós e pede gentileza pro relógio. O nosso céu, timidamente, pede licença pra chuva chegar, molhar as plantas, trazer o cheiro da vida. Olha

COLABORADORESPERDAS E LUTOSaudade.
Por Teresa Gouvea – 

 

13 SINTOMAS PARA DETECTAR UM ATAQUE DE ANSIEDADE E COMO AJUDAR QUEM O SOFRE- continuação

Como ajudar uma pessoa que sofre um ataque de ansiedade

A prioridade para que um ataque de ansiedade desapareça é conseguir que a pessoa afetada pare de pensar nos sintomas que está sofrendo. Para isso, Cano recomenda:

1. Manter uma conversa ativa: “A chave é conseguir distrair a pessoa, embora não seja fácil, porque sua atenção vai se concentrar no que acha que a está ameaçando”, diz Cano. Para o professor, a forma de desviar a atenção é “fazer todo o possível para que o afetado fale”.

2. Ajuda não magnificar os sintomas: é importante tentar que a pessoa afetada entenda que nada do que está acontecendo pode causar danos. Enquanto falamos com ela, “devemos tentar mostrar que são os mesmos sintomas que temos quando fazemos uma prova ou falamos em público”, diz Cano.

3. Normalizar a situação: “Um dos medos que ocorrem no início de um ataque de ansiedade é que os sintomas sejam observáveis”, disse Cano. É importante, portanto, evitar chamar a atenção e que pessoas se aglomerem ao redor do afetado.
E o saco plástico?

No imaginário coletivo está a ideia de que, quando acontece um ataque de ansiedade, é preciso que o afetado respire em um saco plástico. É porque os ataques de ansiedade estiveram ligados por muito tempo à hiperventilação, uma respiração excessiva que causa uma diminuição do dióxido de carbono no sangue. Esta redução produz, por sua vez, sintomas associados com a ansiedade, como tonturas ou taquicardia.

No entanto, a hiperventilação não é a causa dos ataques: um estudo do Centro de Estudo da Ansiedade na Universidade de Boston, que tentou induzir ataques de pânico por hiperventilação, concluiu que ela nem sempre produz uma reação de ansiedade. “Para alguns pode funcionar”, diz Cano “mas a hiperventilação não é o verdadeiro motor das crises”, diz Cano. “A magnificação e a atenção aos sintomas são causas, e é isso que devemos tentar combater”.

Testo original de  El Pais.

Saude Mental, Ansiedade, Psicologias do Brasil

Por Alan Lima – 

NÃO ESTAMOS PREPARADOS PARA SERMOS PAIS DOS NOSSOS PAIS

Nascemos filhos. E esperamos ser filhos para sempre. Mimados, educados, amados. Que nossos pais invistam doses cavalares de amor em todo nosso caminho pela vida. Que, quando a vida doer, haja um colo materno. Que quando a vida angustiar, encontremos neles um conselho sábio. E, quando isso nos falta, há sempre uma lacuna, um sentimento estranho de sermos exceção. Mesmo adultos, esperamos reconhecer nossa meninice nos olhos dos nossos pais. Desejamos, intimamente, atenções miúdas, como a comida favorita no dia do aniversário ou a camiseta do time de futebol se estamos na casa deles.

Não estamos prontos para trocar de lugar nesta relação.

É difícil aceitar que nossos pais envelheçam. Entender que as pequenas limitações que começam a apresentar não é preguiça nem desdém. Que não é porque se esqueceram de dar o recado que não se importam com a nossa urgência. Que pedem para repetirmos a mesma frase porque não escutam mais tão bem – e às vezes, não está surdo o ouvido mas distraído o cérebro. Demora até aceitarmos que não são mais os mesmos – que dirá “super-heróis”? Não podemos dividir toda a nossa angústia e todos os nossos problemas porque, para eles, as proporções são ainda maiores e aí tudo se desregula: o ritmo cardíaco, a pressão, a taxa glicêmica, o equilíbrio emocional.

Vamos ficando um pouco cerimoniosos por amor. Tentando poupar-lhes do que é evitável. Então, sem querer, começamos a inverter os papéis de proteção. Passamos a tentar resguardar nossos pais dos abalos do mundo. Dizemos que estamos bem, apesar da crise. Amenizamos o diagnóstico do pediatra para a infecção do neto parecer mais branda. Escondemos as incompreensões do casamento para parecer que construímos uma família eterna. Filtramos a angústia que pode ser passageira ao invés de dividir qualquer problema. Não precisam preocupar-se: estaremos bem no final do dia e no final das nossas vidas.

Mas, enquanto mudamos esses pequenos detalhes na nossa relação, ficamos um pouco órfãos. Mantemos os olhos abertos nas noites insones sem poder correr chorando para a cama dos pais. Escondemos deles o medo de perder o emprego, o cônjuge ou a casa para que não sofram sem necessidade e, aí, estamos sós nessa espera; não há colo nem bala nem cafuné para consolar-nos.
Quanto mais eles perdem memória, vigor, audição, mais sozinhos nos sentimos, sem compreender por que o inevitável aconteceu. Pode até surgir alguma revolta interior por esperar deles que reagissem ao envelhecimento do corpo, que lutassem mais a favor de si, sem percebermos, na nossa própria desorientação, que eles não têm a mesma consciência que nós, não têm como impedir a passagem do tempo ou que possuem, simplesmente, o direito de sentirem-se cansados.
Então pode chegar o dia em que nossos pais se transformem, de fato, em nossos filhos. Que precisemos lembrá-los de comer, de tomar o remédio ou de pagar uma conta. Que seja necessário conduzi-los nas ruas ou dar-lhes as mãos para que não caiam nas escadas. Que tenhamos que prepará-los e colocá-los na cama. Talvez até alimentá-los, levando o talher a sua boca.

E eles serão filhos piores porque lembrarão que são seus pais. Reagirão as suas primeiras investidas porque sabem que, no fundo, você acha que lhes deve obediência. Enfraquecerão seus primeiros argumentos e tentarão provar que ainda podem ser independentes, mesmo quando esse momento tiver passado, porque é difícil imaginarem-se sem o controle total das próprias rotinas. Mas cederão paulatinamente, quando a força física ou mental reduzir-se e puderem encontrar no seu amor por eles o equilíbrio para todas as mudanças que os assustam.
Não será fácil para você. Não é a lógica da vida. Mesmo que você seja pai, ninguém o preparou para ser pai dos seus pais. E se você não o é, terá que aprender as nuances desse papel para proteger aqueles que ama.
Mas, se puder, sorria diante dos comentários senis ou cante enquanto estiverem comendo juntos. Ouça aquela história contada tantas vezes como se fosse a primeira e faça perguntas como se tudo fosse inédito. E beije-os na testa com toda a ternura possível, como quando se coloca uma criança na cama, prometendo-lhe que, ao abrir os olhos na manhã seguinte, o mundo ainda estará lá, como antes, intocável, para ela brincar.
Porque se você chegou até aqui ao lado dos seus pais, com a porta aberta para interferir em suas vidas, foi porque tiveram um longo percurso de companheirismo. E propor-se a viver esse momento com toda a intensidade só demonstrará o quanto é grande a sua capacidade de amar e de retribuir o amor que a vida lhe ofereceu.

                                                                                                                                                                                                                                                                                                    INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA Pais e Filhos
                                                                                              TEXTO ORIGINAL DE OBVIOUS

Manual prático para lidar com a crise existencial

No que o solitário está pensando? Em como pagar o aluguel, dizer àquela bonita moça que a ama ou está próximo de um insight filosófico que o faria questionar o que raios ele estava fazendo parado ali? Estaria ele em crise existencial?

Pois é, o ato de questionar a vida pode trazer sentimentos ingratos e que põem na mesa dúvidas pertinentes (ou aquelas nem tanto) que nos fazem parar e prestar atenção em por que razão existimos. Penso, logo existo? Que nada! Penso, logo entro em crise. Afinal, quem nunca ficou angustiado com as dúvidas e mistérios da natureza humana?

As crises existenciais não têm hora, lugar ou uma razão específica para estourar. De uma forma geral, tudo pode ser motivo para ela chegar de mansinho e se apoderar dos nossos pensamentos: uma página em branco, odiar o emprego, não arranjar uma namorada bacana (ou até uma que nem seja tão bacana assim…), uma família estranha, a aparência fora do padrão – ou tudo isso ao mesmo tempo. Essas são castrações modernas suficientemente poderosas para desequilibrar qualquer cidadão. E os resultados delas podem variar entre choros parciais, choros constantes, depressão e até, nos casos extremados, suicídio.

“Mas como ninguém pensou em solucionar isso antes?”, pode se angustiar o leitor. O fato é que já se pensou, sim. Desde Sócrates, pelo menos. Tanto que o ato de filosofar surge, de certa forma, dessa premissa: a de observar, investigar e compreender toda a miscelânea de sentimentos que formam o Homem.

Evolução da espécie

Pensar e refletir a respeito de “o que é o amor”, “o que é a morte” e “por que eu não tenho um conversível”, entre tantas outras charadas, é uma prática que toca muita gente. Os questionamentos são naturais, fazem parte da nossa natureza, e a razão de nos perguntarmos é porque existe algo ali fazendo cócegas, causando certo incômodo… Só que de tanto refletir, algumas verdades vieram à tona. E saber lidar com elas foi essencial para a evolução da espécie. A coisa começou mesmo a ficar feia quando o Homem foi destituído do status de “o” ser superior do universo.

O primeiro a contribuir com essa questão foi Nicolau Copérnico, que jogou, digamos, o problema no ventilador quando provou que a Terra não era o centro do sistema solar. Em seguida, Charles Darwin nos apresentou a Teoria da Evolução, confirmando que nossas raízes nos ligavam, quem diria, aos primatas. E há pouco mais de um século Sigmund Freud desandou de vez o caldo ao descobrir o inconsciente e, com isso, afirmar que não somos exatamente donos do nosso nariz.

As três teorias acertaram em cheio o ego da sociedade. Com o espelho do Narciso arranhado, tomou-se consciência de que tudo poderia ser motivo de dúvida. Na insegurança e desorientação das massas, o capitalismo fez sua mágica. Além do coelho, tirou da cartola casas, carros, videogames, roupas e tudo o mais para nos desviar o foco das angústias. Porém, isso tudo não passa de uma forma de abstração, provoca o psicanalista Cláudio Cesar Montoto. Quando alguém fala que está em crise existencial, precisa descobrir qual o seu motivo. “Não há um sintoma nomeado como crise existencial, existem sim castrações de desejo no sujeito que o angustiam”, diz ele.

Por isso, muitas pessoas sentem dificuldade ao tentar definir a razão de estarem insatisfeitas com a vida. Como escreve o psicanalista J.D. Nasio no livro Um Psicanalista no Divã, os motivos de crise parecem ser muitos mas, no fim, possuem como denominador comum os distúrbios sexuais, os conflitos familiares e os problemas sociais no trabalho. Algumas pesquisas e generalizações só dão mais nós nessa questão com as ideias da “crise masculina dos 40 anos”, “a crise da meia-idade” e “a crise da mulher moderna com emprego”, entre tantas outras. “O importante é entender que a crise existencial é a defesa do sujeito contra seu próprio desejo”, diz Montoto.

Então, podemos entender que, se homens e mulheres possuem desejos diferentes, logo, as crises também se manifestam de raízes diferentes? Mas é claro! Não significa que todo homem vai entrar em crise na meia-idade, obviamente, mas que há consternações diferentes em cada gênero. Para Nasio, “a problemática da mulher é do querer, a problemática do homem é poder”. Com isso, desenvolve-se o conceito de que as angústias masculinas são relativas ao declínio de autoridade, da função paterna e toda virilidade investida. Ao passo que o mal-estar na mulher está mais ligado à questão do amor, do ciúme de possuir o parceiro somente para ela, medo da solidão e de ser traída.

Em resumo, entre solidão, aceitação sexual e problema familiar, a crise existencial nada mais é que um diálogo interno, sua autocrítica em comparação e relação a si mesmo e ao outro. Quem é o outro? Parentes, amigos, astros de TV e quem mais quiser entrar na roda. Por isso, constantemente nos questionamos “por que não tenho uma turma de amigos como a de Friends?”, “será que vou viver um amor como o de Brad Pitt e Angelina Jolie?” e “minha vida poderia ser tão repleta de aventuras como a do James Bond?”.

Eu sou o outro

Uma forma paralela de analisar a importância desse “outro” é quando ele fica oculto, à primeira vista, e o sujeito se compara a ele mesmo. Grosso modo, é uma forma de exemplificar uma das ideias de Jean-Paul Sartre. Tomado por muitos como um pensador negativo e pessimista, o filósofo é o representante maior do movimento conhecido como existencialismo, e ele faz sua contribuição – para o bem ou para o mal – quando diz que a existência precede a essência.

O estudioso de filosofia José Renato Salatiel retoma as teorias de Sartre para exemplificar nossas angústias: somos os únicos responsáveis por nossas escolhas na vida. Nascido rico ou pobre, alto ou magro, o que o sujeito vai fazer com isso, com essas características, é sua essência, e não é justificável atirar a carga para a natureza ou Deus. “Sartre joga o peso da responsabilidade para o próprio sujeito, e ele, sem ter para onde escapar e em quem botar a culpa de fracassos e projetos não realizados, naturalmente entra em crise”, afirma Salatiel. E defende que, ao chegar a determinada idade, é natural que “paremos para refletir em todas as nossas realizações e quais foram nossas escolhas”. Nessa retomada, encontram-se muitos desejos que ficaram de fora. Logo, a crise pode vir por consequência. Ele acredita que são essas desilusões que devem ser compreendidas e tratadas para se evitar – ou combater – a crise.

O doutor Freud, por sua vez, tinha uma outra forma de enxergar as crises: não acreditava na felicidade constante – imaginava, sim, que ela fosse como uma montanha-russa, cheia de altos e baixos, tudo regido pelo confronto do que ele nomeava como princípio do prazer e princípio da realidade. Logo, isso aponta para um universo onde todos os sujeitos passarão, uma hora ou outra, por processos de angústia e momentos de felicidade. Quando o momento feliz passa, sempre procuramos repetir aquela sensação. Como nem sempre é possível, a angústia se instaura e, quando não bem tolerada, a crise existencial dá as caras.

Contornar e sair dela exige paciência e tempo. Refletir, procurar o diá­logo e compreender que cada escolha tem o lado positivo pode ser uma forma de relativizar as coisas e enxergar a crise sem as lentes do exagero. Afinal, aprender a dar valor a esses pequenos detalhes contribuem na tarefa de humanizar cada sujeito. “A vida, tal como a encontramos, é árdua demais para nós; proporciona-nos muitos sofrimentos, decepções e tarefas impossíveis”, cravou Freud no célebre texto O Mal-estar na Civilização.

A todo momento somos bombardeados por informações e possibilidades de sucesso sem fim, que nem sempre conseguimos abraçar. Em algum momento, é natural cair na armadilha de se sentir incapaz. Essa constatação, na verdade, pode ser muito positiva. Ela leva o sujeito a repensar as coisas, amadurecer e buscar novas alternativas para a felicidade. Mas isso quando ele está disposto a enfrentar as mudanças que podem decorrer desses questionamentos, claro.

Vida menos ordinária

A arte e a busca pelo prazer podem ser formas mais positivas de contornar e compreender os problemas que nos deixam pensativos. Há quem pinte quadros, componha músicas ou mesmo descarregue suas frustrações no esporte para encontrar o equilíbrio sentimental.

“As satisfações substitutivas, tal como as oferecidas pela arte, são ilusões, em contraste com a realidade; nem por isso, contudo, se revelam menos eficazes psiquicamente, graças ao papel que assumiu a vida mental”, explica Freud. Woody Allen, Van Gogh, Clarice Lispector, Ray Charles e Fernando Pessoa são alguns artistas que transferiram e sublimaram suas dores existenciais por meio da arte. Allen, por exemplo, conseguiu transferir para seus filmes suas neuroses e sentimentos e enfrentá-los de forma divertida e inteligente.

No filme Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, a cena final mostra seu personagem dirigindo um ensaio tea­tral que retrata o sucesso de um relacionamento amoroso, após aquele vivido por ele ao longo do filme ter fracassado. Com o fim do diálogo, eis que Allen se explica ao púbico: “O que você quer? É minha primeira peça. Sabe, você sempre tenta fazer tudo sair perfeito na arte, porque na vida real é mais difícil”.

Para o psicanalista Montoto, são dois os pontos importantes para superar uma crise. Um: saber reconhecê-la. Dois: enfrentá-la. Todo mundo passa por uma ou várias crises durante a existência. E, se não passou, ainda há de passar. Mas a única forma de fazer com que ela deixe de dominar nossos pensamentos é descobrir e compreender o que está por trás dela. É preciso reconhecer que nossas escolhas sempre acarretam perdas, dúvidas e senões. “Todos nós temos desejos reprimidos e precisamos enfrentar sem medo a castração”, diz ele. Só assim conseguimos aceitar os deslizes da vida e perceber os questionamentos que se instauram como uma pulga atrás da nossa orelha. Porque é assim mesmo: mal encontramos as respostas e nossa mente já trata de ir atrás de formular outras perguntas.

Revista Vida simples,04/05/2017; O ato de questionar a vida pode trazer sentimentos ingratos e que põem na mesa dúvidas pertinentes | Crédito: iStock.

PREFERÊNCIA SEXUAL NÃO É OPÇÃO

Na hora do sexo, você gosta de homens ou de mulheres? Acha que isso é uma escolha consciente, que pode ser “certa” ou “errada”, ou uma questão biológica, mera constatação das preferências do seu cérebro, da mesma maneira que se constata a cor da pele ou dos cabelos?

Toda a neurociência indica que a orientação sexual é inata, determinada biologicamente e antes mesmo do nascimento. Aliás, o termo correto para designar a heterossexualidade ou homossexualidade é “preferência” sexual e não “opção” sexual. A razão é simples: interessar-se sexualmente por homens ou mulheres é algo que seu cérebro faz automaticamente, pouco importando o que você pensa a respeito. Opção, isso sim, é o que você faz com a sua preferência: assume publicamente, abraça e curte, ou tenta abafar, esconder, ou mesmo ir contra ela.

Que religiosos e políticos esperneiem à vontade, mas não há qualquer evidência de que o ambiente social influencie a preferência sexual, humana ou de outros bichos. Cerca de 10% dos homens e das mulheres preferem parceiros do mesmo sexo. A estatística não muda entre pessoas criadas por pai e mãe, dois pais, duas mães, com religião ou sem ela. Tentativas sociais de convencer humanos ou outros animais a mudar de preferência sexual nunca deram muito certo.

A preferência sexual está associada à maneira como o hipotálamo responde a feromônios, substâncias pouco voláteis produzidas pelo corpo, mas que ainda assim entram nariz adentro e surtem efeitos sobre o hipotálamo. Um estudo do Instituto Karolinska, na Suécia, mostrou poucos anos atrás que o hipotálamo de cada pessoa é preferencialmente sensível a um de dois tipos de feromônios: ou o feminino, ou o masculino.

O hipotálamo de homens heterossexuais – e também o das mulheres homossexuais – responde fortemente ao feromônio produzido somente por mulheres, chamado EST. Ao contrário, o hipotálamo de mulheres heterossexuais, e também de homens homossexuais, responde preferencialmente ao feromônio masculino, AND. Com tudo o que se conhece sobre a região envolvida do hipotálamo, deve se seguir uma cascata de eventos em outras áreas do cérebro, como a amígdala, o córtex cerebral e o sistema de recompensa, que provocam excitação sexual e fazem com que se busque o dono, ou a dona, do feromônio que ativou o hipotálamo.

O padrão de resposta do hipotálamo, portanto, concorda não com o sexo de cada pessoa, e sim com sua preferência sexual – e, com base em tudo o que já se sabia antes, provavelmente dita essa preferência. São sexualmente excitáveis por mulheres aqueles proprietários de hipotálamo que responde ao EST, feromônio feminino, e não ao AND; são excitáveis por homens, que por definição produzem o feromônio AND, os donos de hipotálamo sensível ao AND – sejam eles mulheres ou homens.

Revelada quando o cérebro adolescente, sensibilizado pelos hormônios sexuais produzidos sob seu controle, expressa o caminho que tomou ainda na gestação, a preferência sexual não se escolhe: descobre-se. Por isso, ela é exatamente tão “correta” quanto a cor da sua pele. Tentar mudar a preferência sexual é como insistir que uma pessoa troque a cor da pele, se torne mais baixa, ou tenha olhos de outra cor. É como exigir que você, leitor, com 90% de chance de ser heterossexual, agora tenha de se relacionar com pessoas do seu próprio sexo. Gostou da ideia? Aposto que não. É inviável, inútil e injusto.

              Por Suzana Herculano-Houzel; Por Psicologias do Brasil -3 de maio de 2017 .

                                                                                                       TEXTO ORIGINAL DE UOL. (mais…)

AS PESSOAS FERIDAS MACHUCAM OS DEMAIS

Talvez elas tenham te machucado em mais de uma ocasião, mas você já parou para pensar na razão por trás deste tipo de comportamento? Nunca pensamos no que pode ter acontecido com a outra pessoa para agir assim. No entanto, as pessoas feridas costumam agir deste modo.

Às vezes isso acontece porque aguentaram tanto, que tudo o que sentiam se tornou um rancor que não discrimina entre os que as tratam bem e os que não. Outras vezes, simplesmente, tentam se proteger desta forma tão incorreta. Sem perceber, machucam os outros antes que os machuquem.

As pessoas feridas sofreram muito

Mostraremos vários exemplos que ajudarão a entender por que as pessoas feridas procedem desta maneira.

  • Imagine que uma criança vem sendo maltratada desde pequena e também viu como um de seus pais era maltratado. Sem saber, o pequeno acreditará que isso é “normal” e, por isso, reproduzirá o comportamento.
  • Mesmo que chore, apesar de sentir dor, na idade adulta talvez maltrate seu parceiro ou exerça a violência contra quem o contrarie. É o padrão de comportamento que viu desde pequeno.
  • No caso de que este tipo de agressão se reproduza somente na idade adulta, talvez a pessoa tente se comportar da mesma maneira em futuras relações para evitar que isso aconteça com ela.
  • Em seu interior, ela pensa: “melhor o outro do que eu de novo”.

O mesmo acontece com aqueles que tiveram algum tipo de carência afetiva. Em sua relações, se apegarão e sofrerão da terrível dependência emocional. 

De que maneira isso é um problema?

Os ciúmes, a necessidade de controlar nosso parceiro para que não nos abandone, a culpa, tornar o parceiro responsável por nossa felicidade…

No final, a outra pessoa termina desgastada pois se encontra submersa em uma relação tóxica.

O que fazer diante das pessoas feridas?

Realmente não podemos tentar mudar estas pessoas. Às vezes elas sabem que não podem continuar assim e são conscientes do que estão fazendo errado.

No entanto, é uma decisão delas e algo que os demais não podem resolver. Seu comportamento, na maioria das vezes, não é premeditado.

Por isso, o que nós podemos fazer diante deste tipo de pessoa para que não nos machuquem? Eis aqui algumas soluções:

  • Não se aproxime mais do que o necessário. Às vezes tentarão te manipular, em outras você descobrirá seu passado e sentirá pena. No entanto, você é importante e tem que se cuidar.
  • Se desejar, aproxime-se delas, mas não mais do que o necessário. Quando estiver no limite, afaste-se.
  • Evite agir como elas. Elas estão feridas e, se você agir da mesma maneira, favorecerá que sigam se comportando assim, e inclusive que sintam sua autoestima mais danificada.
  • Se notar que tentam te ferir, dê meia volta.
  • Não lhes diga o que fazer. Ninguém pode ajudar a outra pessoa se esta não quer ajuda. Por isso, se quiser evitar se desgastar e se esforçar em vão, não lhes diga para procurar ajuda profissional e muito menos tente dirigir sua forma de ser.
  • Aceite-as

    Sua melhor opção será aceitar as pessoas feridas como são. Todos se machucaram alguma vez e talvez tenhamos até prejudicado alguém sem querer.

    Nosso instinto de sobrevivência nem sempre age da forma mais adequada. Ele não conhece valores, nem normas, nem regras. Somente quer que você sobreviva e supere o que ocorreu.

    Assim, não olhe torto para aquele menino que aborrece outro na escola, pois este carece de uma grande autoestima e talvez tenha milhares de problemas em casa.

    O ideal seria parar este comportamento e tentar corrigi-lo agora enquanto ainda há tempo, já que quando chegamos na idade adulta é mais difícil. Na maturidade, somente nós mesmos podemos abrir os olhos, perceber o que ocorre e pedir ajuda para mudar e deixar de machucar os demais.

                                                                   TEXTO ORIGINAL DE MELHOR COM SAÚDE

A Sabedoria da transformação

Ikkyu-san tornou-se monge muito cedo. Era considerado esperto demais e as pessoas sempre tentavam tirá-lo de seu centro de equilíbrio. Certo dia, sabendo que ele gostava muito de peixe assado, um senhor o convidou para orar em sua casa. Terminada a oração, ofereceu a ele uma refeição, como era de praxe, e colocou  o peixe saboroso bem à sua frente. Ikkyu-san fez rapidamente a prece de agradecimento e começou a comer o peixe.

As pessoas à sua volta comentavam: ´´Mas é monge. Está quebrando o preceito de não matar. Isso não está certo“.

Iukkyu-san continuava comendo alegremente. Até que alguém, não aguentando mais, falou em voz alta: ´´Monge, o que é isso? Comendo peixe?“. E o pequenino Ikkyu, sem titubear, respondeu: ´´O peixe está virando monge“. Não nos tornamos o que comemos, mas o que comemos se torna nosso corpo e nossa mente. A questão é: sabemos retribuir a toda nossa vida? Somos sustentados por tudo o que existe. Não existe nada separado.

Monja Coen, A sabedoria da transformação: Reflexões e Experiências; revista Bons Fluidos pág. 45; Ed. 219.

%d blogueiros gostam disto: