O Bom de Viver.com.br

Início » Posts etiquetados como 'meta'

Arquivo da tag: meta

Você tem direito de “passar uma borracha” em sua vida

Às vezes faz bem, é saudável, enriquecedor e também significa uma revolução pessoal: passar uma borracha pode ser a solução de seus problemas. Uma curiosidade é o fato de nosso cérebro ser tão resistente a mudanças. Tudo que suponha sair de nossa zona de conforto ou largar uma rotina, um hábito ou um determinado contexto é interpretado por nosso cérebro como uma ameaça.

Em sua necessidade primordial de garantir nossa sobrevivência sempre nos alimentará com medos e inseguranças para pensarmos “não faça, não mude nada do que o rodeia”. No entanto quando você é capaz de enfrentar esse instinto natural e biológico, tudo muda. No final, nossa mente se enriquece dessas aprendizagens obtidas e o cérebro se beneficia desse passo maravilhoso que vai abrir portas para receber outros estímulos que podem garantir nossa felicidade.

Hoje gostaríamos de convidar você a refletir sobre o direito que as pessoas têm de fazer o mesmo: reiniciar.

Passar a borracha é necessário para “limpar”

As mudanças não chegam precisamente alterando nosso contexto determinado. Não é necessário arrancar nossas raízes e buscar outros mapas e outros territórios para virar a página.

  • O mais adequado é realizar a mudança reunindo novas forças interiores e com elas “limpar” tudo aquilo que não nos agrada, que não enriquece e que impede nosso avanço.
  • Podemos começar por nossa própria casa: faça uma limpeza de tudo o que pertence a uma etapa que não lhe agrada.
  • Descarte papéis, roupas que você não usa mais, recordações que lhe incomodam ou que ocupam muito espaço, com pouca utilidade.
  • Abra as janelas e deixe que um vento novo lhe acompanhe enquanto realiza a limpeza.
  • A seguir, chega a parte mais corajosa e importante. Pense profundamente o que mais pode estar sobrando em sua vida.

Talvez você deva modificar rotinas, talvez deva ficar longe de certas pessoas e romper certos vínculos.

Aprecie o vazio, sinta a mudança e se concentre em si mesmo

Temos certeza de que, quando realiza uma profunda limpeza em sua casa você fica impressionado com quantas coisas havia acumulado, e com a luz que irradia de todos os cantos limpos.

  • Há uma serenidade muito reconfortante. Tudo está em ordem agora.

Não apenas deixou para trás coisas que já não lhe eram úteis: também largou pessoas que não contribuem com nada e também que lhe faziam mal.

  • Há pessoas que, ao chegar nessa fase, começam imediatamente a conhecer gente nova, a criar novos relacionamentos e embarcar em um carrossel de novas experiências.
  • Não é o adequado. Quando colocamos em prática o “passar a borracha” estamos favorecendo nosso autocuidado, e por isso é vital que seja dedicado um tempo de reflexão.
  • Devemos apreciar esse vazio obtido com a limpeza, essas lacunas onde antes havia alguém que agora já percorre outros caminhos.

Nesses vazios estamos nós mesmos, e devemos nos reencontrar, apreciar a solidão e nos reconciliar com ela.

As mudanças no exterior fazem com que se sinta diferente: alguém mais forte

Se o simples fato de você querer iniciar a mudança já é um sinal de coragem, realizá-la é um grande demonstrativo dessa característica. Às vezes, não sabemos disso, mas dentro de nós se esconde a semente da resiliência. Fazer com que ela germine requer uma gota de determinação, uma pincelada de coragem, e algumas gramas de intuição para saber o que nos convém e o que é melhor evitar.

Passe a borracha e você se sentirá orgulhoso de si mesmo, e essa sensação, essa firme convicção de ter o controle do leme de sua vida é algo gratificante que você deve desfrutar.

Borracha e sorrisos novos: o momento de decorar a sua vida

Vida nova, sorrisos novos. O esforço valeu a pena e, ainda tenha consciência de que custou muito chegar até onde se encontra agora, todo o obtido é maravilhoso: porque agora é você em toda sua essência, você em toda sua magia.

É o momento de “decorar” sua vida, e aqui vão algumas dicas simples que servirão de ajuda:

  • Decore sua vida com pessoas que o apreciem como você é, com suas virtudes e defeitos.
  • Deixe que chegue a seu coração pessoas que saibam dar e receber felicidade.

Fique rodeado de amizades maduras, divertidas, amizades que tem uma solução para cada problema e não um problema para cada solução. Permita que cheguem a você essas oportunidades que você sempre mereceu e que não se atreveu a alcançar. Seja receptivo ao que a vida trouxer a você e que lhe agrade, ilumine e o identifique.

TEXTO ORIGINAL DE MELHOR COM SAÚDE, Postado em Psicologias do Brasil.

Os 40 anos chegaram? É hora de restaurar sonhos e jogar os entulhos fora. Por Ivonete Rosa Ivonete Rosa

Desde menina, escutava as pessoas dizendo que “a vida começa aos 40”. Confesso que isso me deixava bastante intrigada, mesmo depois de adulta. Afinal, que surpresas poderiam aguardar uma pessoa ao entrar para a quarta década de vida? Questionei muitas vezes.
Confesso que eu adoraria encontrar uma forma de escrever sobre esse tema sem me expor, mas não seria possível, visto que o texto ficaria pobre em autenticidade. Óbvio que me inspiro também em incontáveis relatos de outras pessoas.

Ao entrar para o clube dos “enta”, pude constatar esse “começo” de vida. Me deparei com a necessidade urgente de uma revisão sobre o modo como eu vinha vivendo. Foi como jogar tudo o que eu tinha de crenças, valores, sentimentos, medos e etc. num grande tatame e fazer uma seleção bem criteriosa. Olha, isso me deu muito trabalho. Eu simplesmente “filtrei” o que me servia e joguei o resto no lixo e mandei incinerar. Percebi, claramente, que eu carregava uma mala gigante de coisas que não me pertenciam. Eram tralhas indesejadas que muitas pessoas foram me entregando ao longo de minha vida.

E, tinha muito lixo, muita tranqueira pesada e incômoda. Me deparei com “objetos” em forma de insegurança, sentimento de incapacidade, sentimento de menos valia, crenças idiotas, necessidade de aprovação de pessoas que eu nunca gostei, bloqueios e etc. Olhei para cada um desses entulhos e disse: chega, vão todos para o lixo, aqui não tem lugar para vocês mais, vou trocar toda minha mobília, vou enfeitar a minha alma.

No meio dessa bagunça toda, encontrei alguns sonhos e desejos, completamente empoeirados, quase irreconhecíveis. Peguei-os, separei num canto, limpei a poeira mais grossa e prometi a eles que, dedicaria um tempo especial para restaurar-lhes o brilho, mas que esperasse eu jogar fora tudo o que não me servia. Então, após levar todo aquele entulho para a incineração, voltei aos objetos que restaram. Eles eram meus de verdade, faziam e fazem parte da minha essência. O riso, a fé, a espontaneidade, a mania de poetizar tudo, o senso de liberdade são alguns dos itens que estavam empoeirados e que eu fiz questão de restaurá-los, lustrá-los e transformá-los em objetos de decoração da minha alma.

Eu encontrei,em meio a essa bagunça toda, no fundo da minha memória, uma menina pobre, que morava num sítio. Muito tímida, desconfiada e completamente desacreditada. Com muita mansidão, acolhi-a, coloquei-a no colo. Ela chorava muito, pois ela disse a um adulto que quando crescesse queria ter o nome dela na capa de um livro, tal qual o nome da Branca Alves de Lima na capa da sua cartilha de alfabetização “Caminho Suave”. O adulto riu e zombou do sonho dela e disse ainda que ela não serviria nem para dar um recado quando crescesse.

Então, enxuguei as lágrimas daquela menina, enchi-a de beijos e disse a ela: olha aqui nos meus olhos e ouça, você vai ser escritora, sim, eu acredito em você e você vai começar a escrever hoje mesmo. A menina sorriu e me abraçou de volta, ela está aqui escrevendo nesse momento. Os recados dela estão espalhados pela internet em forma de crônicas e poesias.

Em suma, fui percebendo que a maioria dos meus medos me foram entregues por outras pessoas. Pessoas que não queriam que eu crescesse, que eu sonhasse, que eu vivesse de forma plena. As razões pelas quais elas queriam podar minhas asas? Não sei e nem me interesso em saber, importa é que me libertei das crenças aniquiladoras que elas me entregaram um dia.

Eu optei por fazer minhas próprias escolhas, foi como tirar um véu das vistas. Eu aprendi a dizer “não” sem me sentir culpada. Aprendi a me tratar com mais respeito, zelo e compaixão. Me perdoei pelas escolhas infelizes e me parabenizo por cada obstáculo superado. Aprendi que devo comemorar minhas conquistas, não importa o quão pequena ela pareça aos olhos dos outros. Desenterrei sonhos e me dedico a eles diariamente. Não preciso mais ouvir alguém dizer que sou ou não capaz de realizá-los. Eu aprendi a me conhecer, perceber meus pontos fortes e o que posso melhorar. Percebi que não existe impossível para quem tem a alma transbordando motivação e fé.

Me libertei da necessidade de ter uma companhia para me sentir completa. Continuo acreditando no amor e desejo vivê-lo mas não quero nada mais ou menos, eu não suporto migalhas…não as aceito mais em minha vida.

Sabe, acredito que esse despertar aos 40 ocorre porque nos percebemos na metade do caminho, considerando a expectativa de vida humana. Então, não queremos mais viver de qualquer jeito, não queremos viver imposições alheias. Queremos viver aquilo que faça sentido para nós. Isso se refere à crença espiritual, relacionamentos, estilo de vida e etc. Esse filtro do que serve ou não serve acontece diariamente, só que agora ficou mais fácil, pois a “faxina” pesada já foi feita. Nesse despertar, veio, no pacote, um outro modo de olhar o outro. Com mais empatia, com mais leveza, com mais compaixão. ” Eu não tenho um novo caminho, o que tenho de novo é o jeito de caminhar”.

Depressão é a doença que mais atinge estudantes universitários

Metade dos universitários brasileiros vivenciou algum tipo de crise emocional no ano passado. A depressão foi a mais representativa: atingiu cerca de 15% dos estudantes, enquanto a média geral entre jovens de até 25 anos fica em torno de 4%. Os dados sobre os universitários são da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes).

Para psicólogos e professores, a principal causa dessas crises é a mudança da adolescência para a vida adulta, que ocorre bem na fase em que o jovem está na graduação. Por causa das cobranças, o estudante se sente pressionado e confuso e o resultado é a falta de motivação para estudar, dificuldade de concentração, baixo desempenho acadêmico, reprovação, trancamento de disciplinas e, na pior das hipóteses, evasão.

“É o período em que o estudante vai consolidar sua personalidade e ganhar características do curso que escolheu. Essa formação de identidade, somada à necessidade de corresponder às expectativas dos outros, gera estado depressivo”, explica o professor e coordenador da Clínica de Psicologia da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP), Luiz Henrique Ramos.

Cobrança

Nem sempre o sofrimento é causado apenas pela tentativa de mostrar à família e aos amigos que dá conta da vida adulta. A cobrança de si mesmo por um bom desempenho também é responsável por causar ansiedade nos universitários. Segundo Ramos, algumas situações específicas durante o curso podem desencadear o problema. No caso dos cursos de Saúde, a hora de atender o paciente pode gerar medo, insegurança e causar situações de ansiedade e depressão.

Os estudantes de Medicina estão entre os grupos mais atingidos, segundo o psiquiatra e professor de Medicina da Universidade Católica do Paraná (PUCPR) Dagoberto Hungria Requião. Além do medo do início do atendimento, o contato com corpos nas aulas de Anatomia também pode causar tristeza e desânimo. “Ele chega ao curso superior entusiasmado e se depara logo com a morte. Nem todos estão preparados e têm maturidade para isso.”

Formada há três anos, a médica Amanda – que não quis ser identificada – lembra que passou por um estado de depressão no primeiro ano da faculdade. Depois de poucos meses de aula, começou a faltar. “Não ia mais e nem fazia provas. Simplesmente ficava em casa vendo televisão. Hoje sei que o que senti foi medo de comparação com as notas dos colegas, pois tinha acabado de passar pela pressão do vestibular e não aguentava mais aquilo.” Após quatro meses em casa, ela procurou um médico, tomou remédio e em pouco tempo estava de volta à sala de aula.

TEXTO ORIGINAL DE GAZETA DO POVO.

 

Dilema: Ser legal Dá para ser alguém legal, bondoso e bem-sucedido?

Aprendemos que devemos ser legais, bacanas, bonzinhos. Mas, contraditoriamente, quando somos assim no trabalho, ou nos assumimos dessa forma publicamente, corremos o risco de ser tachados de bobos ou de alguém que nunca vai chegar ao topo, ao sucesso. Está na hora de mudarmos esse padrão e termos relações mais compassivas
Decidir se tornar uma pessoa mais doce e amável parece ser uma ambição profundamente insípida e desanimadora. Teoricamente, amamos a docilidade, mas, na prática, o conceito parece ser vergonhosamente insignificante, fraco, tedioso e até desinteressante. Ser uma pessoa legal, boa, generosa parece algo que tentaríamos apenas quando outras alternativas mais ousadas e recompensadoras fracassassem. Na verdade, “ser legal” é uma ideia profundamente mal apreciada. Muito do que valorizamos é preservado pela gentileza e compatível com ela. É uma virtude com diversas qualidades sutis. O que se destaca é a forma como você faz isso. Ser alguém legal, bacana, generoso com o outro pode não ter o apelo imediato do dinheiro e da fama, mas é uma qualidade tremendamente importante mesmo assim, que negligenciamos a nosso próprio risco. Ser legal é uma virtude aguardando nossa redescoberta e nossa valorização renovada e sem conflitos. Qual se parece mais com você?

Com atenção
O bom ouvinte sabe que nos beneficiamos imensamente do encorajamento para elaborar, entrar em detalhes, ir um pouco além. Precisamos de alguém que, em vez de retrucar, simplesmente diga uma rara palavra mágica: “Continue…”.  Quem é legal de uma forma atenciosa é movido por um desejo de entender adequadamente as pessoas, cavar um pouco mais fundo e conhecer melhor o outro. Ele para enquanto o outro fala, faz comentários de apoio, gestos suaves e positivos: um suspiro de solidariedade, um balanço encorajador com a cabeça. Tudo isso para que nós, que falamos, possamos nos sentir acolhidos e entendidos.

De uma forma aberta
Há determinadas pessoas que são capazes de desconsiderar a nossa essência logo de cara – as quais generosamente chamamos de “mente-aberta”. Elas pressupõem que ser humano é algo confuso e imoral e que qualquer pessoa que encontrem provavelmente carregará em si aspectos longe de ideais, estando às vezes à beira da loucura. Ser legal de uma maneira aberta significa deixar o julgamento de lado e não ter medo do que está dentro da alma do outro. É algo motivado por um desejo de ver o lado bom das pessoas, independentemente das circunstâncias em que encontremos essa bondade.

Com educação
Por mais que amem a verdade, boas pessoas têm um compromisso ainda maior com outra coisa: ser gentis com as outras. Entendem (e permitem) a facilidade com que uma verdade pode produzir convicções nada úteis na mente dos outros e, portanto, não estão excessivamente comprometidas com a precisão em cada aspecto. Ser legal de uma forma educada é algo motivado por um desejo de proteger o sentimento do outro. É entender que querer o melhor para as outras pessoas às vezes exige que as protejamos com a educação, escolhendo nossas palavras com cuidado para não perturbá-las nem causar preocupação desnecessária.

Com acolhimento
A pessoa acolhedora pode não ter uma teoria explícita sobre o que está fazendo, mas a raiz de sua conduta se baseia em uma compreensão de que não importa o quão sólido e digno alguém pareça ser por fora, nos bastidores inevitavelmente haverá um lado seu em dificuldade, possivelmente sem jeito, facilmente desconcertado, rodeado por apetites físicos, à beira da solidão – e frequentemente precisando de nada mais sutil ou elevado do que um pequeno elogio. Ser legal de uma forma acolhedora significa que você deseja profundamente que os outros se sintam aceitos – apreciados e valorizados independentemente de seus defeitos ou peculiaridades.

De uma forma tímida
A timidez está enraizada na discrição e no silêncio, mas também tem dimensões profundas. É preenchida por uma consciência de que podemos estar incomodando alguém com nossa presença, baseada em uma noção aguda de que um estranho pode ficar insatisfeito ou incomodado conosco. A pessoa tímida é comoventemente atenta aos perigos de ser uma perturbação. Ser tímido frequentemente significa que você não quer incomodar ninguém. Você fica preocupado com o conforto dos outros e, assim, prefere ficar fora das coisas em vez de assumir o risco de não ser bem-vindo.

Não queremos ser legais
Nossa noção do que é ser legal pode parecer pessoal, mas tem uma longa história, trazendo o sedimento de pelo menos quatro grandes correntes culturais que vale a pena tentar entender. A primeira delas é nosso legado do cristianismo: é bonzinho, legal, mas fraco. Durante séculos, o cristianismo foi a força mais poderosa que moldou nossos horizontes intelectuais e esteve profundamente comprometido em promover a bondade no mundo. Com a melhor estética e recursos intelectuais, louvou o perdão, a caridade, a ternura e a empatia. No entanto – e infelizmente para a bondade, o ser legal com o outro –, o cristianismo não a deixou simplesmente ali. Também sugeriu que pode haver uma oposição fundamental entre ser legal e ser bem-sucedido. Pessoas bem-sucedidas não eram, como os crentes ouviam, exatamente muito legais – e pessoas legais não eram, exatamente, bem-sucedidas. Parecia que candidatos ao reino dos céus tinham uma escolha a fazer: ser legais ou ter sucesso. Com um só golpe, a dicotomia maculou profundamente o apelo da bondade a qualquer um com a mais remota chama de ambição saudável e secular no coração. O cristianismo pode ter lutado para nos incentivar a ser legais e bondosos, mas, ao conectar a bondade tão firmemente com o fracasso, criou uma permanente sensação de que essa era, essencialmente, uma qualidade de interesse sobretudo para perdedores. A segunda corrente está relacionada ao legado do romantismo: bonzinho, mas tedioso. Nos últimos 200 anos, fomos muito influenciados pelo movimento cultural conhecido como romantismo e, para os românticos, a pessoa admirável é sinônimo de alguém empolgante, intenso e criativo, volátil e espontâneo, que pode perturbar a tradição e ousar. E ser até mesmo enérgico ou rude, em nome de seguir o chamado do coração. O oposto diametral dessa figura heroica era alguém calmo e respeitável, discreto e conservador, modesto e quieto – em outras palavras, a pessoa tediosa. Aqui, também, parece haver uma escolha radical a fazer: impulsivo, imprevisível e brilhante ou quieto, convencional e sempre indo cedo para a cama. A terceira corrente diz respeito ao legado do capitalismo: bonzinho, mas falido. O capitalismo acrescentou a essa lista de cargos de gentileza mais uma acusação: apresentar uma interpretação do mundo como uma arena profundamente competitiva na qual todas as empresas estavam comprometidas em forjar uma batalha contínua por participação de mercado, em uma atmosfera marcada por impiedade, determinação e impaciência. Quem tinha sucesso precisava saber como destruir a concorrência, sem um pingo de emoção. Uma pessoa legal e boa, não disposta a reduzir salários ou superar um oponente, acabaria falida. A quarta e última corrente é a do erotismo: legal, mas nada sexy. Uma última, e mais pessoal, associação paira sobre a bondade. Ela diz respeito à crença de que ser legal não pode ser sexualmente desejável, porque as qualidades que nos tornam eróticos estão vinculadas à posse de lados brutais, dominadores, que brigam com a ternura e o aconchego. Mais uma vez, uma escolha esquisita se apresenta: entre o amigo agradável com quem ir ao parque e a companhia perigosa com quem desaparecer porão adentro com algemas e um chicote. Apesar de tudo isso, gostamos da bondade e dependemos dela. A questão é que as lembranças ligadas a isso foram suprimidas por uma cultura que injustamente não nos faz sentir inteligentes por aprová-la. Todas as qualidades que aprendemos a pensar como opostas a ser legal são altamente compatíveis e, às vezes, dependentes dela. Independentemente do quanto estamos comprometidos com o sucesso, durante boa parte da vida, somos criaturas vulneráveis à mercê da bondade dos outros. Só conseguimos ter sucesso porque outras pessoas, normalmente nossas mães, abriram mão de parte de sua vida para serem generosas conosco. Quanto à empolgação, essa também pode ser uma fase, como todos aqueles que deram contribuições reais para a humanidade sabem. Dias tranquilos, rotina doméstica e horários regulares para dormir são precondições necessárias para picos criativos. Não há nada mais estéril do que uma exigência para que a vida seja sempre empolgante. Por outro lado, o capitalismo pode recompensar a competição entre empresas, mas depende da colaboração dentro delas. Nenhuma companhia pode funcionar por muito tempo sem confiança e laços de afeto pessoal. Para frustração dos chefes, dinheiro não pode garantir o comprometimento necessário dos funcionários; apenas sentido e espírito de companhia garantirão. Finalmente, a excitação sexual da obscenidade só seduz adequadamente em condições de confiança. Não importa o quanto fantasiemos sobre uma noite com um conquistador impiedoso, seria alarmante encontrar um exemplo real. Precisamos saber que alguém é de fato bondoso antes de um chicote, algemas e palavras indecentes se tornarem algo interessante. Tanto do que valorizamos é, na verdade, preservado pela bondade e compatível com ela. Podemos ser legais e bem-sucedidos, legais e empolgantes, legais e ricos e legais e potentes. Ser alguém legal, bonzinho – como muitos rotulam –, é uma virtude que aguarda nossa redescoberta e nossa valorização renovada e sem conflitos.

A série Dilemas é uma parceria entre a revista vida simples e a The School of Life e traz artigos assinados por professores da chamada “Escola da Vida”. A série tem como objetivo nos ajudar a entender nossos medos mais frequentes, angústias cotidianas e dificuldades para lidar com os percalços da vida.
Alain de Botton é filósofo, escritor e ficou conhecido por aplicar conceitos filosóficos para resolver dilemas do dia a dia. É um dos idealizadores da The School of Life e autor de diversos livros sobre amor, viagens e arquitetura.

Revista Vida Simples; Alain de Botton 03/08/2017.

Dieta ‘mais ou menos saudável’ é opção sem tantas restrições

Dietas que prometem rápido emagrecimento surgem a todo momento, mas elas não explicam os prós e os contras das restrições alimentares que indicam. Excluir do cardápio grupos alimentares – proteínas, gorduras ou carboidratos, por exemplo – pode até levar à perda de peso, mas não favorece a saúde. Assim, especialistas em nutrição estão defendendo uma dieta “healthy-ish” (mais ou menos saudável, traduzido do inglês).

“Se você come regularmente alimentos saudáveis, como verduras, legumes e frutas, e se movimenta, não há problema nenhum em querer sair com os amigos, tomar uma cerveja e comer um tira-gosto ou optar por um chocolate na manhã de domingo. Comer tem que ser algo que faça bem à mente, não apenas ao corpo”, defende a médica nutróloga Ana Beatriz Rios, membro da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran).

Ou seja, de acordo com a especialista, é perfeitamente possível equilibrar boa alimentação, prática de atividade física e o “luxo” de comer coisas de “fora do cardápio”, mas sem exageros. “São três conceitos básicos que devem estar em qualquer alimentação: a moderação, a proporcionalidade e a adequação. São eles os responsáveis pela sensatez entre a saúde, o bem-estar e o prazer do paladar”, explica.

Ana Beatriz destaca que essa flexibilidade ajuda também no processo de reeducação alimentar. “Esse equilíbrio incentiva a pessoa a ser ‘fiel’ à rotina de alimentação adotada. Isso diminui as chances de uma sabotagem e de um prejuízo alimentar num possível efeito sanfona”, assegura a especialista.

Foi o bom senso na alimentação que fez a nutricionista Raquel Righi perder mais de 50 kg em menos de três anos. “Quando me vi aos 31 anos pesando 130 kg, caí em mim. A partir de então, passei por uma reeducação alimentar que não era 100% restritiva”, revela.

Raquel conta que durante a semana equilibrava os alimentos com a prática de exercícios físicos e, aos fins de semana, se dava a liberdade de comer algo de fora do cardápio. “Uma taça de vinho ou um pedaço de pizza não eram prejudiciais. Pelo contrário. Já preparava o cardápio semanal pensando no sábado e no domingo. O ato de comer precisa ser prazeroso, mas, é claro, sem exageros dos dois lados”, acredita.

Ela considera ainda que a privação em excesso gera compulsão e culpa de comer algo “errado”. “Se você se sente culpado, se arrepende e acaba exagerando na comida”, reflete.

Contraponto. Por outro lado, a endocrinologista Janaína Koenen, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), considera que, para flexibilizar o cardápio, é preciso estar em harmonia com o peso. “Dar-se o direito de comer algo gostoso, mas pouco nutritivo, vale para as pessoas que estão bem com a balança, por algumas vezes. Aquelas que estão em processo de emagrecimento ou com o cardápio restrito por causa de doença devem evitar (sair da dieta)”, afirma.

Ela ressalta que esse período restritivo não é para sempre, mas que desvios devem ser acompanhados por um profissional, para que os efeitos já conquistados não sejam comprometidos.

Janaína aponta ainda para as falsas promessas das dietas “milagrosas”. “Não existe mágica, muito menos na alimentação. O equilíbrio reside naquilo que faz sentido, que não parece absurdo. Dietas que prometem resultados em pouquíssimo tempo podem estar na boca das pessoas, mas somem logo depois e se mostram ineficientes”, aponta.

Corpo. Uma pesquisa da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, revelou que praticar 30 minutos de caminhada por dia é suficiente para fazer com que o corpo de um adulto normal seja beneficiado.

Qualquer pessoa que tem uma alimentação saudável pode incluir alimentos considerados não nutritivos sem acompanhamento especializado?

Existem alguns grupos (de pessoas) que não devem ingerir determinados alimentos sem orientação profissional, principalmente os industrializados e ricos em carboidratos. Os principais exemplos são os obesos que estão em processo de emagrecimento, os diabéticos e aqueles que têm intolerância ao glúten.

O que isso pode acarretar?

No caso dos obesos, um ganho de peso não programado, retrocedendo no emagrecimento. Quanto aos diabéticos e aos intolerantes ao glúten, pode haver uma piora no quadro que eles apresentam.

Como essas pessoas podem usufruir do prazer alimentar?

Há várias opções. Entre elas está o consumo de pães que não levem farinha de trigo na receita, mas farinha de linhaça ou de coco. Eles não são muito baratos, mas compensam na quantidade porque saciam mais a fome. Outra forma é substituir o açúcar por banana em uma receita de bolo: é mais saudável e até mais gostoso.

Qual o critério mais importante na busca do equilíbrio? 

Dar o primeiro passo sabendo que a conquista é gradativa, mas completamente possível.

JORNAL  O TEMPO – PUBLICADO EM 29/06/17 –

A serventia do encantamento no dia a dia

O cotidiano está cheio de descobertas e prazeres, mas precisamos saber reconhecê-los. Isso nos ajuda a ter uma vida mais feliz e a encontrar poesia onde antes parecia existir apenas cinza

Há pouco tempo soube pelos jornais que apareceria uma superlua e que ela seria a maior de todas em 68 anos. Será mesmo? Não tenho medidor de lua, mas a manchete de um portal dizia assim: “Quer registrar a superlua de hoje no seu celular? Veja aqui dez dicas”. Dez dicas para ver da mesma forma o que todo mundo acha que está vendo? Registrar a Lua no celular, em vez de olhar na cara dela? Que cansaço me deu pensar em selfies lunares… A Lua é super todos os dias, mesmo quando não usa capa nem ganha manchetes nos jornais. É só botar reparo nela. Porém, para isso precisamos reaprender a sentir sem pressa tudo o que está à nossa volta. E, apesar de todos os embrutecimentos que nos cercam, acho que passar o dia todo sem ver, sem escutar, sem provar, sem cheirar, sem tocar o mundo, e sem permitir que ele nos toque, nos afete, nos desarrume por dentro, é viver sem sentido nenhum. Nesse sentido, há mais de 20 anos, tenho viajado por todas as regiões do Brasil para falar da serventia do encantamento na vida da gente. Um dia, eu rabiscava algo sobre isso, antes de uma viagem. Dentro do avião, vi que quase todas as pessoas conversavam ao telefone, mandavam mensagens, batiam fotos, balançavam a cabeça com seus fones no ouvido. Mas não me senti tão sozinho quando reparei que uma mulher escrevia a lápis em uma folha de papel almaço e parava para contemplar o movimento dos passageiros e das comissárias. Nem sabia que ainda existem pessoas que escrevem a lápis em folhas de papel almaço. Senti vontade de saber o que ela tanto escrevia enquanto olhava, e o que tanto olhava enquanto escrevia. Entretanto, na maioria das vezes, imaginar me tenta ainda mais do que saber. Para dar um pouco de descanso na imaginação, olhei pela janela, mas quase tive um troço quando li o que eu já havia lido tantas vezes, sem parar para refletir. Estava escrito lá: NÃO PISE NA ASA. E eu não sabia o que fazer com aquela perturbação. Afinal, eu pensava, para quem será que escreveram um aviso tão desatinado? Para um pelicano alfabetizado? Para um anjo leitor? Para uma alienígena viciada em pisadas de asa? Pensei em pedir à aeromoça que clareasse o meu tormento, mas achei que ela também poderia entrar em parafuso e espalhar desnorteio entre os passageiros. Ao meu lado, um homem fotografava a própria tela do computador, e a tela estava cheia de gráficos ainda mais assustadores que aviso para pelicano. Então tive mesmo que conviver sozinho com aquela frase, até o avião pousar. Dias depois, jantando com um velho amigo, perguntei se já havia reparado naquela história de não pisar na asa, e ele, rindo da minha angústia, me explicou: “Rapaz, não é possível que você não saiba… esse lembrete é para os caras da manutenção não pisarem naquele local específico, enquanto estiverem trabalhando”. Naquele momento, disse ao meu amigo: “Muito obrigado, você acaba de pisar na minha asa”. Esse episódio me leva a um poema do Mario Quintana chamado Crenças, publicado no livro Velório sem Defunto (Alfaguara). “Seu Glicínio porteiro acredita que rato, depois de velho, vira morcego / É uma crença que ele traz da sua infância. / Não o desiludas com o teu vão saber. / Não o esclareça dos seus queridos enganos. / Não se deve tirar o brinquedo de uma criança. / Tenha ela oito ou oitenta anos.” Seu Glicínio porteiro me faz pensar: para que servem essas explicações de tirar brinquedo? Qual o gosto de passar uma caneta vermelha na fantasia alheia? Quantas vezes será que pisamos na asa de alguém com o nosso vão saber? Na realidade, mais do que tudo, acho que só tiramos o brinquedo de alguém quando não conseguimos enxergar a nossa própria asa, tão atrofiada por falta de uso. E, se não enxergamos a nossa própria asa, como vamos enxergar a asa do outro? Quantas vezes também será que nós pisamos, abrindo mão dos nossos desejos mais simples, mais legítimos, mais autênticos? No rastro dessas perguntas, há dois anos, passei uns dias com o meu filho, Gabriel, em Buenos Aires, capital portenha. Chegamos lá com roteiros que amigos nos fizeram de tudo o que não poderíamos deixar de conhecer, e realmente conhecemos lugares deliciosos, mas gostamos ainda mais de nos perder pela cidade, flanando, sem roteiros, sem mapas, de café em café, de uma praça a outra, de cena em cena, de pessoa em pessoa. Foram dias feitos de conversas, sentidos, silêncios, reparos. E, no meio
de um desses reparos, quando estávamos prestes a fazer um passeio de ônibus pela cidade, escutamos um casal que conversava atrás de nós. Palavras da mulher, enquanto entrávamos no ônibus: “Ai, que cheiro de flor… Não gosto de cheiro de flor”. Ao meu lado, já sentado, Gabriel comentou a frase: “Dizer que não gosta de cheiro de flor é o mesmo que dizer que não gosta de vida, não acha? Para mim, foi pior que se ela dissesse: ‘Eu detesto cheiro de flor’. Eu acho que não gostar é pior que detestar”, me disse o meu filho, na época com 14 anos. Concordei com ele. Se ela dissesse que detesta cheiro de flor, poderia estar num mau dia, aborrecida por algum acontecimento, movida por alguma emoção de destrambelhar lucidez. Mas ela só disse que não gostava, com tranquilidade, sem raiva, sem escândalos, simplesmente como quem diz que não gosta de vida. “Não gosto de cheiro de flor”, a frase despetalava minha ideia, enquanto descíamos para ver a Plaza de Mayo e escutávamos mais resmungos da mulher e também do homem que estava com ela. “Meu Deus, que frio, meu Deus, como as coisas estão caras, meu Deus, que demora para descer do ônibus” – eles diziam. E eu pensava: meu Deus, por que não olham pela janela, meu Deus, por que não beijam na boca, meu Deus, por que não param de amolar Deus e aproveitam o dia? À noite, deitado na cama, fiquei pensando ainda mais. Quem sabe o cheiro das flores joga na cara daqueles dois toda a vida que eles não vivem? De fato, não é fácil sentir cheiro de vida perdida. Ah, o casal era também nosso vizinho de porta, no hotel. Não fomos de excursão, mas compramos o mesmo pacote que ambos. Sim, eles tinham o mesmo pacote, mas uma forma tão diferente de desembrulhá-lo… Depois que constatei isso, tive vontade de mandar para eles uns alfajores, um vinho e um texto pervertido da (escritora francesa) Anaïs Nïn, para ver se aqueles dois conseguiam encher a cara de sonho, mas não deu tempo. No dia seguinte, eles já estavam de malas nas mãos, partindo para outro lugar. E, antes de seguir para o café da manhã e comer todas as rodelas de pomelo rosado (toranja) do hotel, enquanto via que as malas do casal eram iguais
e tinham a mesma cor, uma pergunta ficou me perturbando: o que vai na bagagem de quem não gosta de cheiro de flor? Há umas semanas, essa história me veio à memória, quando almocei no Biscui, restaurante que dá cheiro de flor ao meu dia. Sentada à minha frente, uma moça pediu ao gentil garçom Fábio: “Por favor, eu gostaria de uma água com gás e um pouco de gelo espremido… Me desculpe, gostaria de um limão espremido”, ela se corrigiu. E eu pensava, não se desculpe por essa beleza que você acabou de criar, não se desculpe, que eu vou passar a vida com inveja de você por nunca antes ter feito esse pedido. Na saída, a moça estava ao meu lado, na fila do caixa. Perguntei o seu nome, falei da minha inveja incontida, revelei que eu contaria essa história numa crônica, e ela riu da própria criação. “Foi sem querer que eu disse isso, mas logo depois eu vi que um gelo espremido não tinha sentido”, constatou a Meli. Não sei se é assim que se escreve o seu nome. Só sei que disse a ela que as coisas mais belas muitas vezes nascem sem querer e que a poesia não é para ter sentido. A poesia, que está disponível para nós, à nossa volta, é para provocar os sentidos, eu diria hoje à Meli, que depois saiu do restaurante puxando uma mala de rodinhas. Para onde a poesia mais me puxa? Por onde eu mais gosto de puxá-la? Para onde a vida mais tem puxado a Meli? Depois daquela experiência, fiquei com urgência de ir a um restaurante, só para puxar uma cadeira e pedir um copo de gelo espremido. Pensar em gelos espremidos me deu desejo de reler uma entrevista que fiz na década de 90 com o (escritor) Manoel de Barros, por conta do seu livro Exercícios de Ser Criança (Salamandra). Nessa entrevista, o poeta me disse que criar imagens e metáforas é uma maneira de aumentar o mundo e me explicou por que as crianças sabem fazer isso tão bem. “Se digo que me enferrujei de lata, criei uma coisa nova. Criei um ser humano que fica enferrujado, que nem um prego. As crianças criam essas imagens porque ignoram prescrições e regulamentos do sério. A criança não sabe o comportamento das coisas. E pode inventar. Pode botar aflição nas pedras, e assim por diante. Ela não sabe se pedra tem aflição, por isso cria”, me escreveu o Manoel, à máquina, com remendos feitos à mão. Por que será que pensar em remendos feitos à mão me amansa tanto e me dá tanta gana de desordem? “O gosto pela liberdade se manifesta nas desobediências. Andar de costas na chuva é sinal de liberdade”, Manoel também me disse nessa entrevista. Na praça perto de casa, em Copacabana, num fim de tarde, vi uma menina de 6 anos que andava em zigue-zague, seguindo os desenhos das pedras, ou as aflições delas, quem sabe? Mas logo a mãe pisou na asa da filha: “Anda direito, Marcela!” E a menina passou a andar em linha reta, sem curvas, sem surpresas, sem criar imagens, de cabeça baixa. Que cena… Será que a Marcela jamais vai andar de costas na chuva? Tomara que ande, tomara que ande. Imagino a Marcela daqui a 30 anos fazendo um curso para reaprender a entortar os passos, subverter mesmices, viver e trabalhar com criatividade e honestidade intelectual. Acho que só quando desobedecemos é que criamos algo realmente nosso e exercitamos a nossa autenticidade. Também acredito que nem toda pessoa autêntica é feliz, mas que toda pessoa feliz, de alguma forma, é autêntica. No entanto, por medo de sermos rejeitados, criticados, corrigidos, censurados e esquecidos, passamos a vida presos a regulamentos do sério, abrimos mão dos nossos zigue-zagues mais íntimos, e deixamos de olhar, agir e pensar com originalidade. É assim que nos afastamos da fantasia e de tudo o que ela tem de mais humano, transformador, apetitoso, revelador, essencial. “PARE, OLHE, ESCUTE”, me manda a placa da estação ferroviária, à beira de um trilho, numa cidade do interior de São Paulo onde estive outro dia. Num mundo cada vez mais cheio de pressa, olhos embaçados, ruídos, e cobranças pragmáticas, obedecer à placa de uma pequena estação de trem é uma transgressão irresistível.
 Crédito: Vida Simples Digital; MÁRCIO VASSALLO; 10/07/2017.

Simplesmente Amigo

Amizade não se explica. Amigos sempre sabem quando serão amigos, pois compartilham momentos juntos, dão forças; estão sempre lado a lado, nas conquistas e nas derrotas, nas horas boas e nas difíceis.

Amizade nem sempre é pensar do mesmo jeito, mas abrir mão de vez em quando. Amizade é como ter um irmão que não mora na mesma casa. É compartilhar segredos e emoções. É compreensão, é diversão. É contar com alguém sempre que precisar. É ter algo em comum, é saber que se tem mais em comum do se imagina. É sentir saudade. É querer dar um tempo. É dar preferência. É bater um ciúme.

Amizade que é amizade nunca acaba, mesmo que a gente cresça e apareçam outras pessoas no nosso caminho, porque amizade não se explica, ela simplesmente existe!

Muito obrigada por sua amizade! Muito, muito obrigada mesmo pela sua amizade, do fundo do coração!

Tenho um adolescente em casa. O que faço?

A adolescência pode se tornar um período complicado para pais e filhos. Para muitos, pode ser uma das fases mais difíceis da vida pelo fato de marcar intensas modificações corporais, hormonais e comportamentais. Esta etapa marca a transição entre a infância e a idade adulta e é nela que o indivíduo descobre sua identidade e define sua personalidade.

Não se pode definir com precisão o início e fim da adolescência, pois ela varia de pessoa para pessoa. Porém, na maioria dos indivíduos, ela ocorre entre os 10 e 20 anos de idade (segundo dados da OMS – Organização Mundial da Saúde).
É normal que nesta fase o adolescente procure se distanciar dos pais e passe a conviver um período maior com o grupo de amigos que possuem interesses em comum, pois ele está querendo testar sua independência e autonomia. Também é natural que o adolescente passe a se comportar de forma diferente, tenha flutuações de humor, se revolte contra as regras da sociedade e de casa e se torne mais arredio com os pais.
Muitas vezes, os pais não sabem como lidar com o filho adolescente e acabam tomando atitudes autoritárias, que fazem com que o filho se revolte e se afaste ainda mais do grupo familiar. Outra atitude errada é o fato dos pais não entenderem o crescimento do filho, tratando-o ainda como criança. Essa atitude também leva o adolescente a afastar-se, pois nessa fase ele não quer mais ser considerado criança.
É importante que a família tome consciência das características próprias da adolescência e compreenda que, pelo seu desenvolvimento físico, psicológico e emocional, os adolescentes necessitam de mais espaço. Também é indispensável que os pais entendam que trata-se de uma fase do desenvolvimento necessária e inevitável para que seus filhos possam se tornar verdadeiramente adultos.

Assim, é necessário que haja amizade e muito diálogo entre pais e filhos. Também deve haver muita compreensão e carinho por parte dos pais, estabelecendo com os filhos uma comunicação baseada no respeito e confiança. Pais que dialogam com os filhos são mais ouvidos por eles, o que faz com que se tornem menos rebeldes.
Sempre que possível, os pais devem elogiar e confiar no filho adolescente, para que ele adquira uma imagem positiva de si mesmo. É necessário manter distância quando o adolescente estiver mal-humorado, deixando-o tranquilo e respeitando sua intimidade.
Outra boa maneira de evitar ou reverter atitudes rebeldes é dar autonomia e responsabilidades para os filhos, inserindo-os dentro das normas de convivência familiar.
Apesar dos alardes, não é todo mundo que passa por essa fase difícil. Enquanto alguns sofrem profundas transformações, há também aqueles que enfrentam as mudanças de maneira mais calma. No entanto, se os pais perceberem que seu filho está passando por mudanças severas (comportamentais ou biológicas) é importante o acompanhamento de um psicólogo. A psicoterapia é indicada não somente para o adolescente, como também para os pais que enfrentarem dificuldades em lidar com ele.

 

Por Janaina Mariuzzi, Site Psicologias do Brasil; 2017.

Depressão não é sinônimo de tristeza

Acontece nas melhores e nas piores empresas. O colega é motivado, esperto, capaz de agir rápido. Encontra belas soluções para os maiores desafios e sempre cumpre prazos. Não tem preguiça. Veste o figurino do mundo corporativo e circula em ambientes refrigerados, mas faz o estilo Capitão Nascimento: “Missão dada é missão cumprida”.

Até que, sem razão aparente, começa a sentir dificuldades de concentração. Uns esquecimentos aqui e ali. Não consegue mais planejar e tomar decisões como antes. Os colegas acham que ficou acomodado. Criam a versão que lhes parece mais conveniente e espalham o veneno: “Mais um espertinho fazendo corpo mole”.

O chefe interpreta a nova postura como falta de comprometimento. Conclui que ele não veste mais a camisa da empresa e o inclui rapidamente na lista dos que, em breve, serão “promovidos ao mercado”.  Quem sofre não sabe o que tem, mas sabe que alguma coisa está errada. Uma colega observadora desconfia de depressão. Ninguém a leva a sério. “Como ele pode estar deprimido se conversa, brinca, sorri? Quem está deprimido fica triste, resmunga, chora no banheiro”, diz alguém.

Esse é um roteiro bem conhecido pelos especialistas em saúde mental. Frequente nas empresas, mas raramente administrado como se deve pelos gestores. Depressão não é sinônimo de tristeza. Nem sempre a tristeza é o principal sintoma. Às vezes, o que aparece são as dificuldades cognitivas já mencionadas ou só perda de prazer.

Qual é o impacto da depressão no ambiente de trabalho no Brasil? Até recentemente pouco se sabia a respeito. Os resultados da maior pesquisa sobre o tema, divulgada em primeira mão nesta coluna, dão pistas importantes.

Mil adultos com idades entre 18 e 64 anos, trabalhadores ou gestores em empresas instaladas no país, preencheram questionários detalhados pela internet. A pesquisa faz parte de um estudo já realizado em vários países da Europa, com financiamento da empresa farmacêutica Lundbeck.

No Brasil, a análise dos resultados ficou a cargo de Clarice Gorenstein, professora do departamento de farmacologia da Universidade de São Paulo (USP), e do médico Wang Yuan-Pang, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas.

“Ainda existem muitos estigmas em relação à doença, seus sintomas e suas consequências”, diz Clarice. “Os gestores não se dão conta da magnitude do prejuízo que a depressão pode causar à produtividade dos empregados e, consequentemente, à produtividade da empresa.”

Os principais resultados:

• Quase 20% dos entrevistados afirmaram já ter recebido diagnóstico de depressão
•  33% dos que tiveram depressão precisaram se ausentar do trabalho em algum momento
• 53% disseram conhecer alguém no ambiente de trabalho que teve depressão
• Depois do período de afastamento por depressão, as mulheres voltam ao trabalho, em média, depois de 56 dias
• Os homens demoram mais. Voltam depois de 80 dias.

“Os homens costumam resistir à ideia de procurar um médico”, diz Wang. “O tratamento começa quando a situação já se agravou e, por isso, eles demoram mais a voltar ao trabalho depois do afastamento.”

Apenas uma em cada dez pessoas reconhece que indecisão, esquecimento e dificuldade de concentração podem ser sinais de depressão. Apesar do desconhecimento em relação a isso, 53% das pessoas que tiveram depressão afirmaram ter sentido um ou mais desses sintomas.

Entre os gestores, o despreparo é notável. Eles são muito preocupados com metas, mas dão pouca atenção às condições emocionais dos subordinados – apesar disso ser uma séria ameaça aos resultados perseguidos.

Gestores que sabem lidar com gente são joias raras. Na pesquisa, a maioria disse que as empresas têm recursos para lidar com a depressão, mas eles sentem falta de apoio formal. Ou seja: não há programas e políticas internas para lidar com o problema.

“No estudo, verificamos que poucos gestores reconhecem a indecisão e a falta de concentração como sintomas de depressão”, diz Clarice. A maioria não faz essa relação.

O que, afinal, causa a depressão? Problemas na família? Trânsito? Violência? Ou o próprio trabalho? A depressão do sujeito foi disparada pelo chefe ou pelo casamento ruim? Pelo assédio moral na empresa ou por sua condição sócio-econômica?

Nos casos em que o sofrimento é decorrente do ambiente de trabalho é sempre difícil estabelecer aquilo que os juristas chamam de nexo causal, mas não é impossível. Aqui o  psiquiatra e médico do trabalho Duílio Antero de Camargo explica como fazer isso.

Duilio é um especialista no fenômeno do presenteísmo – aquela situação em que o funcionário não falta ao trabalho, mas trabalha doente.

A coisa é mais ou menos assim: a pessoa trabalha num ritmo insano, enfrenta pressões e acostuma-se a ouvir reclamações constantes da chefia em reuniões constrangedoras. Passa anos nesse ritmo como se esse fosse o ambiente natural de sua profissão. Não reclama, por medo de perder o emprego ou porque não quer ser considerado um fraco.

Até que um dia os problemas emocionais começam a aparecer. Pode ficar ansioso, meio deprimido ou sentir medo. Se isso durar um dia ou outro e não atrapalhar a vida do sujeito, significa que ele ainda não está sofrendo de uma doença psiquiátrica.

Se a ansiedade, a depressão e o medo perdurarem e começarem a provocar problemas físicos (taquicardia, hipertensão, dores de cabeça, insônia, por exemplo) pode ser o sinal de que um transtorno mental está instalado.

Esse é um terreno fértil para uma série de males, entre eles transtorno do pânico, depressão, transtornos do sono, síndrome de burnout (esgotamento total) etc.

Quem preza a própria saúde precisa perceber o que está em jogo. Será que vale a pena competir, suportar todas as pressões, conquistar um salário invejável e depois torrá-lo no psiquiatra?

“Metas cada vez mais difíceis e todo tipo de pressão leva ao adoecimento”, diz Camargo. “Quanto mais falamos sobre o assunto, mais as pessoas têm condições de fazer uma autocrítica sobre as situações que estão vivendo.”

Esse é o valor dessa pesquisa. Ela quantifica algo que estava no ar, flutuando no espaço dos temas incômodos, das verdades que poucos gostam de assumir.

Agora o quadro está claro. Abaixo alguns dos sinais de depressão. Há vários outros. Alguns podem aparecer, outros não.

* Distúrbios do sono
* Falta ou aumento do apetite
* Cansaço
* Diminuição da libido
* Tonturas, palpitações ou mal-estar constante

* Impaciência
* Perda do senso de humor
* Tristeza
* Dificuldade de tomar decisões
* Medo, angústia, insegurança

* Baixo nível de concentração
* Expectativas negativas
* Avaliação negativa de si mesmo, do mundo e do futuro
* Perfeccionismo
* Tendência ao isolamento

Por Cristiane Segatto, 2 de julho de 2017.

TEXTO ORIGINAL DE ÉPOCA

DICA -História e música

Comédia com pinceladas de drama tem estreia prevista para este mês e conta o encontro entre a música e a essência de cada um de nós.

Um filme que conversa com a alma. Assim é Filhos de Bach, que deve chegar às salas de cinema no final de abril. O enredo gira em torno de Marten, um professor de música na Alemanha que precisa vir ao Brasil, mais especificamente à cidade de Ouro Preto (MG), para resgatar uma herança: uma partitura original do compositor Johann Sebastian Bach. Na cidade mineira, Marten vai encontrando acolhimento, e é nesse caminho que conhece os meninos de uma instituição, garotos que não acreditam no futuro. O professor alemão começa então a dar aulas de música para os meninos. Mais do que ensinar e aprender melodias, eles se reencontram e passam a se enxergar. O filme tem trilha sonora especial: os maiores sucessos de Bach, como Ave Maria, Ária na Corda Sol e Jesus, Alegria dos Homens, tocados em ritmo de chorinho, samba, jazz e batucada. De arrepiar.

Ana Holanda;  Crédito: Vida Simples Digital, 12/05/2017.

 

%d blogueiros gostam disto: